Fordlândia – a cidade de Henry Ford

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Essa história vem diretamente do interior do estado do Pará, mais precisamente da área rural do que hoje é o município de Aveiro, na costa do rio Tapajós, o nosso assunto de hoje é a cidade de Fordlândia.

Falamos hoje de uma cidade que não é propriamente uma cidade fantasma, pois ainda possui moradores, mas que possui a maior parte de sua área abandonada. Na verdade o mais importante sobre ela é que conta uma história de como um projeto industrial do criador da Ford foi pensado e por vários motivos fracassou quase na metade do século passado.

O sonho

Henry Ford revolucionou os processos de produção industrial e ganhou até nome para seu novo método de produção, o fordismo. Antes dele, o carro era produzido um a um de forma lenta e não especializada, com a sua ideia, o carro vinha em uma linha de produção e era montado por operários especializados que faziam a tarefa de forma repetitiva. O seu modelo era produzido de forma mais rápida e assim nascia o conceito mais moderno de linha de produção.

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Revolucionária, sua empresa logo passou a ser a maior produtora de veículos do mundo, mas por ter uma produção tão grande possuía carências em relação a matérias primas que eram integradas aos seus veículos. Uma das carências que possuía, era a extrema dependência da produção de látex da Malásia.

Após uma negociação com os governos do Brasil e do Pará, a empresa realizou a compra de uma área de terras para o empreendimento que visava a produção do látex para os pneus de seus carros. Tiveram também isenção de impostos pela exportação de todos os itens que retirassem das terras onde se localizava o empreendimento.

Foi construída uma cidade em estilo norte americano, com toda a infra-estrutura necessária para o empreendimento que se realizaria, hospital, onde se realizou o primeiro transplante de pele do Brasil, escolas, energia elétrica, clube, casas para operários e encarregados e refeitórios estavam entre as construções erguidas em Fordlândia.

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Fim do projeto

Um dos principais problemas que ocorreram em Fordlândia era a falta de experiência em plantio de seringueiras por parte dos encarregados da plantação, em uma terra fraca e pedregosa, plantadas de forma incorreta, muito próximas umas das outras, as árvores foram atacadas por pragas que as destruíram. Mesmo quando tentaram a produção na cidade de Belterra, também construída pela empresa especialmente para o projeto, o resultado não foi muito melhor.

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A administração dos recursos humanos também não era um dos fortes do projeto, com encarregados truculentos e autoritários, alimentação em estilo americano e casas, rotinas e ordens aos quais não estavam acostumados, os operários da cidade produziam muito menos do que poderiam e inclusive se rebelaram contra seus administradores.

Em uma dessas rebeliões o exército brasileiro teve que intervir para restaurar a ordem e somente com a presença da força militar os encarregados e gerentes da empresa puderam retornar de seus esconderijos no meio da floresta.

Outra curiosa rebelião veio por conta da alimentação, os operários eram alimentados de forma americana e até hambúrgueres recebiam para se alimentar. Mas foi pelo espinafre que tudo aconteceu. O povo queria o bem brasileiro arroz com feijão, além de peixe e farinha, alimentos que conheciam melhor, gostavam mais e com os quais estavam mais acostumados.

O governo federal brasileiro também não ajudou muito, desconfiava dos propósitos dos americanos que estavam ali, além disso, estava mais voltado para a Alemanha nazista do que aos Estados Unidos.

Mas o golpe final veio com a eclosão da segunda guerra mundial, o conflito global causou a escassez de várias matérias primas e com a dificuldade de seu transporte, assim, várias pesquisas foram sendo patrocinadas pelos países que estavam envolvidos no conflito, inclusive uma que permitia a produção de borracha a partir de derivados de petróleo, o que desfechou o golpe final ao projeto de Ford.

Em 1945, o neto de Henry Ford assumiu a presidência da companhia e decidiu encerrar o projeto, abandonando o projeto de seu avô.

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Crédito: Juliana Geller

A empresa foi indenizada na quantia de 250 mil dólares na época pelo governo federal do Brasil, mas em seu total, teve aproximadamente 20 milhões de dólares em prejuízos e abandonou enorme infraestrutura no local.

O governo brasileiro, apesar de receber toda a infraestrutura, teve de assumir o passivo trabalhista da empresa, além de não ter interesse em utilizar aquilo que existia lá. Abandonou por vários anos os prédios que foram recebidos e hoje vários deles se encontram destruídos e até os dias atuais nem foram tombados pelo patrimônio nacional.

Muito pouca gente ainda reside lá e os prédios vão caindo pouco a pouco, mas ainda dá para ver o que existia na cidade e o quanto a empresa Ford se esforçou para que seu projeto desse certo.

Belterra cresceu mais e hoje é uma cidade habitada, talvez por estar muito mais próxima da cidade de Santarém recebeu mais oportunidades de crescimento, lá ainda existem alguns prédios que permanecem em estado de conservação regular.

O mais engraçado de tudo isso é que o maior patrocinador da construção da cidade de Fordlândia, o próprio Henry Ford, nunca chegou a conhecer, nem Fordlândia e nem mesmo a cidade de Belterra, projeto que levava mais que um sonho de produção para o coração do Pará, levava uma ideia de progresso para toda a região em que se instalou.

Não deixe de conferir o artigo: Pripyat, a vítima do desastre de Chernobyl, no qual falamos da cidade Ucraniana que ficou conhecida por ter sido atingida pelo desastre de Chernobyl.

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Fontes: Fordlândia, Lugares Esquecidos, Tecmundo, Miniford