O ataque ao navio Baependi

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O Baependi (também conhecido como Baependy) foi um navio brasileiro que transportava carga e passageiros e seu afundamento entrou para a história nacional como a maior tragédia brasileira durante a Segunda Guerra Mundial quando, no dia 15 de agosto de 1942, foi afundado por torpedos lançados pelo submarino U-507, no momento em que passava pela costa do estado de Sergipe. O ataque causou a morte de 270 de seus ocupantes e foi uma das causas da entrada do país na guerra, alguns dias depois.

 

A história do Baependi se iniciou com outra guerra, anos antes, o governo brasileiro havia confiscado o navio em 1917, pois o mesmo pertencia a empresa alemã Hamburg Sud, de procedência alemã, e o Brasil havia declarado guerra a este país em 1917, alguns anos depois, o navio passou a ser operado pelo Lloyd Nacional, que era uma empresa pertencente ao governo brasileiro e se destinava a navegação e transporte de cargas e passageiros.

 

O governo brasileiro havia rompido relações diplomáticas com o governo alemão em janeiro de 1942, depois disso, vários outros navios brasileiros haviam sido torpedeados por submarinos alemães e italianos. A situação se deteriorou quando, no início de agosto de 1942 o capitão de corveta Harro Uracht, comandante do submarino U-507, recebeu as ordens para caçar e atacar os navios aliados em nossa costa, deveria poupar apenas os navios do Chile e da Argentina que eram países neutros.

Harro Schacht

Harro Schacht

No dia do ataque, o Baependi navegava próximo da costa brasileira, conforme era a determinação do Lloyd Brasileiro, na sua última viagem era comandado pelo capitão João Soares da Silva. Vinha de Salvador, de onde partira por volta das 7 horas da manhã; Salvador era apenas uma escala de uma viagem que se iniciara no Rio de Janeiro e se estenderia até o Recife.

 

O navio levava 306 pessoas, 73 tripulantes e 233 passageiros, boa parte dos ocupantes era integrante do 7º Grupo de Artilharia de Dorso, esses militares levavam consigo os seus familiares para a cidade de Recife, onde se instalariam, boa parte da carga era de material bélico que os soldados levavam consigo.

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O navio estava pintado de cinza para dificultar o seu torpedeamento e navegava em zigue zague. Recentemente havia sido equipado com um canhão de 120 mm para sua defesa, medida que se mostrou inútil, tanto nesse como em vários outros casos.

 

Os passageiros haviam acabado de jantar e encontravam-se dispersos pelo navio quando, exatamente às 19:12, dois torpedos atingiram o navio. O primeiro atingiu a sala das caldeiras e o segundo atingiu os tanques de combustível. Em seguida as luzes se apagaram e a confusão se instalou. Em menos de 5 minutos o navio já havia afundado, não dando tempo nem mesmo para descer os botes salva-vidas.

U-507

Submarino alemão de mesma classe do U-507

Como saldo desta tragédia, tivemos um total de 270 mortos e apenas 36 sobreviventes, 18 passageiros e 18 tripulantes, a comoção nacional que se seguiu levou o Brasil a declarar guerra à Itália e a Alemanha e enviar ajuda material, aeronaves e tropas aos campos de batalha europeus.

 

O submarino U 507, que além do Baependi, afundou ainda o Araraquara, o Aníbal Benévolo, o Itagiba, o Arará e a barcaça Jacira, não possuiu uma vida muito longa depois dos ataques de agosto de 1942. Em janeiro de 1943 o submarino se encontrava a aproximadamente 100 milhas do litoral do ceará, quando foi atingido por cargas de profundidade lançadas por uma aeronave Catalina do exército norte-americano, levando seu capitão e sua tripulação para o fundo do Oceano Atlântico.

 

Até a próxima!!

 

Fontes: Itagiba-1942, Naufrágios do Brasil, UOL, Brasil Mergulho, Guia do Estudante