Quem foi Oskar Schindler??

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Você deve lembrar do filme “A Lista de Schindler”, sucesso de bilheteria norte-americano que colocou o ator Lian Nesson no papel de um industrial alemão durante a Segunda Guerra Mundial. O industrial colocava os seus negócios em segundo plano e realizava um enorme esforço para salvar judeus dos campos de extermínio. Mas você sabe que foi Oskar Schindler, o que fez ou por que salvou judeus naquela ocasião??

Oskar Schindler nasceu em 28 de abril de 1908 em Svitavy, Morávia, hoje parte da República Tcheca, mas na época, parte do extinto Império Austro Húngaro, filho de um gerente de uma indústria de máquinas agrícolas, era um grande fã de corridas de motocicletas e inclusive participou de algumas competições amadoras do esporte.

Trabalhou junto com o seu pai durante a juventude, foi fazendeiro, serviu o exército Tchecoslovaco e foi empregado de uma empresa eletrotécnica até se tornar espião do Abwehr – o serviço de informação do governo alemão – em 1936, em tal órgão, suas funções eram basicamente: informar movimentos de tropas e novas adesões de espiões para o governo da Tchecoslováquia em preparação para a anexação que seria realizada em breve.

Durante as suas atividades como informante, foi preso pela polícia Tcheca e informou às autoridades que teria realizado tais atividades por dinheiro. Ficou preso por alguns meses e foi liberado após a anexação dos Sudetos pelo governo alemão com o status de prisioneiro político.

Schindler nazista

Em 1939, foi aceito pelo partido nazista e continuou a trabalhar no serviço secreto alemão até meados de 1940. Em novembro de 1939, arrendou uma fábrica de utensílios esmaltados. No auge, a Deutsche Emaillewaren-Fabrik ou DEF como era conhecida, chegou a empregar 1750 pessoas, dos quais 1000 eram judeus.

Schindler e sua esposa

Schindler e sua esposa

O empreendimento de Schindler foi idealizado inicialmente visando lucro com contratos de venda para o exército. Com a passagem do tempo, Schindler começou a proteger os seus operários de origem judaica a todo custo, geralmente utilizando de seus contatos com agentes governamentais e de suborno para conseguir mantê-los longe da deportação e dos campos de extermínio.

Em 1943, quando o comandante do campo do campo de Plazwow, Amom Goth, decidiu levar todas as fábricas para dentro do complexo do campo, Schindler o convenceu a construir um subcampo para abrigar os seus trabalhadores e mais 450 de outras fábricas da região.

Salvando pessoas

Gross_Rosen

Com a aproximação do final da guerra, em julho de 1944, Schindler soube da ideia do governo alemão de transferir os trabalhadores para o oeste, do campo de Plazwow para Auschwitz e Gross Rosen e encerrar as atividades das empresas que não fossem essenciais ao esforço de guerra.

Com isso em mente, Schindler aceitou a sugestão de nazistas pertencentes ao governo e iniciou a produção de armamentos. O passo seguinte foi convencer Goth a transladar os seus trabalhadores para Bruunlitz e lá montar sua nova fábrica.

Durante o translado, um trem com 700 homens que se deslocavam para Brunnlitz foi direcionado de forma errada para o campo de extermínio de Gross Rosen. Eles ficaram no local por uma semana; Schindler teve que convencer os nazistas que tais homens eram seus trabalhadores. Outras 300 mulheres foram parar em Auschwitz e foram necessárias várias semanas e tais trabalhadoras passaram por um grande risco de serem enviadas para as câmaras de gás.

Com a passagem do tempo, continuaram seus esforços de convencimento dos oficiais alemães, principalmente com subornos, de que os operários não deveriam ser enviados a campos de concentração, evitando a morte certa nas câmaras de gás.

Também lutava de forma desesperada para convencer os membros do exército que os armamentos fabricados por ele eram úteis, apesar de chegarem várias reclamações e denúncias de que eles não funcionavam. Vendo que a sua insistência em fabricar armas e explosivos que não funcionavam colocaria em perigo os seus funcionários, adquiriu armamentos no mercado negro e os revendeu para o exército.

Com a proximidade cada vez mais real do final da guerra, Schindler conseguiu convencer a cúpula nazista da necessidade de armar os seus operários para defender a fábrica dos possíveis ataques soviéticos, na verdade, o medo real de Schindler era o de um ataque realizado pelos membros das tropas SS que pelo seu enorme fanatismo, poderiam querer se vingar.

A vida depois do fim da guerra

Após a rendição incondicional alemã, Schindler e sua esposa fugiram para a Suíça, para que não fosse preso pelos exércitos aliados, já que era um membro do Abhwer do partido nazista e teria empregado mão de obra escrava durante a ocupação, os operários que se encontravam em sua fábrica confeccionaram uma carta onde contavam o seu esforço para salvar pessoas da morte certa.

Schindler e sua esposa retornaram para a Alemanha e posteriormente emigraram para a Argentina em 1948, onde tentaram retomar a sua vida entretanto, quando Schindler faliu, em 1958, voltou para a Alemanha, deixando de sua esposa e tentando mais alguns empreendimentos sem sucesso no seu antigo país.

Tentou ser reembolsado pelos custos que teve ao proteger os seus operários, fazendo um pedido a American Jewish Joint Distribution Committee, seus custos foram orçados por ele mesmo em mais de 1 milhão de dólares, em resposta recebeu a quantidade de 15 mil dólares. Com suas sucessivas falências e sem dinheiro, viveu até a sua morte de doações enviadas pelas pessoas que salvou e seus descendentes.

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Em 1963, foi considerado um Justo Entre as Nações devido a seu trabalho pelo salvamento de judeus, faleceu em 9 de outubro de 1974 e se encontra enterrado no cemitério protestante em Jerusalém de acordo com a manifestação de sua própria vontade.

Perseguido pelo próprio governo

Schindler foi perseguido, mesmo antes do encerramento da guerra pelo próprio governo alemão e inclusive foi detido em duas situações por suas ações em relação aos judeus.

Em uma das ocasiões beijou uma empregada de origem judaica, por essa violação das Leis de Nuremberg, ficou preso por um dia e foi libertado após a influência de sua secretária. Em uma segunda ocasião, durante uma festa de aniversário, beijou outra moça no rosto e foi detido por 5 dias.

A terceira detenção ocorreu devido a suspeitas de participar de negócios no mercado negro e por ter subornado vários oficiais nazistas e o comandante do campo Amon Goth.

Até a próxima!!

Fontes: USHMM, A Lista de Schindler, World War Two, Portal São Francisco

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