Série biografia – Quem foi Charles Ponzi

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Carlo Pietro Giovanni Guglielmo Tebaldo Ponzi, ou como ficou mais conhecido: Charles Ponzi, ficou conhecido como o perpetrador do maior esquema de estelionato do século XX e deu seu nome a um crime que se repete à exaustão até os dias atuais. Então, no artigo de hoje, vamos conhecer alguns detalhes da vida peculiar desse estelionatário.

Antes da fama

Charles Ponzi nasceu em Lugo, Itália, em 3 de março de 1882 e emigrou para os Estados Unidos em 1903. Trabalhou em empregos com baixos salários e passando necessidades por algum tempo até que resolveu tentar a vida no Canadá, onde teve o sua primeiro contato com o estelionato.

Lá ele foi empregado em um banco chamado Zarossi, cujo dono praticava um esquema de pagamentos de juros bancários que eram, no mínimo, o dobro daqueles do mercado. Quando o banco foi a falência, o proprietário fugiu para o México com o restante do dinheiro dos correntistas.

Antes de ser conhecido por ter realizado o seu esquema, que na época era embrionário e ainda era conhecido como: “Roubar Pedro para pagar Paulo”, Ponzi também realizou uma fraude a cheques e por isso foi preso em Montreal, onde cumpriu uma pena de dois anos de prisão. Essa primeira fraude ocorreu por um “bom motivo”: ao perceber que o banco onde trabalhava havia quebrado, foi até uma empresa que era cliente do banco e que também havia quebrado e pegou alguns cheques abandonados no escritório e os fraudou. A ideia dele era auxiliar a família do banqueiro fugitivo, que a havia abandonado quando fugiu para o México.

Uma nova vida??

Quando solto, em 1911, envolveu-se em um esquema de ajuda a imigrantes ilegais para que entrassem nos EUA e foi novamente preso, desta vez em Atlanta. Lá, colaborou com as autoridades e depois de sair foi empregado em uma empresa de mineração nos arredores de Boston. Ainda em Boston casou-se com a também ítalo-americana Rose Marie Gnecco que, mesmo sabendo de seu passado, aceitou casar-se com ele.

Um fato interessante sobre a biografia de Charles Ponzi é que depois de ser libertado da prisão pela segunda vez Ponzi, já na empresa de mineração, viu um terrível acidente ocorrer. Em tal acidente, uma de suas colegas sofreu queimaduras graves. Ponzi se prontificou a doar 1,4 M² de sua própria pele para recompor a pele da colega. Entretanto, as operações subsequentes resultaram em pleurisia para Ponzi

O esquema toma forma

Ponzi tinha várias ideias para tentar ficar rico, a primeira delas envolvia criar catálogos de propaganda entre empresas. Ainda no verão de 1919, Ponzi decidiu montar um pequeno escritório em Boston, apresentando as idéias e escrevendo para pessoas que ele conhecia na Europa, tentando vendê-las como oportunidades.

Semanas depois de seus primeiros contatos, Ponzi recebeu uma carta de uma empresa na Espanha perguntando sobre o catálogo de anúncios que ele tentava vender. Dentro do envelope havia um cupom de resposta internacional (conhecido como IRC), algo que ele não conhecia, mesmo tendo sido carteiro em seu país natal. Ele buscou informações sobre o IRC e encontrou uma fraqueza no sistema que, em teoria, lhe permitiria ganhar muito dinheiro.

O objetivo do cupom de resposta postal era permitir que alguém em um país o enviasse a um correspondente em outro país, que poderia usá-lo para pagar a postagem de uma resposta. Os IRCs foram precificados ao custo de postagem no país de compra, mas poderiam ser trocados por selos para cobrir o custo de postagem no país onde foram resgatados. Ou seja, se esses valores fossem diferentes, havia um lucro potencial. Assim sendo, esse era o embrião da ideia que ele resolveu explorar.

O negócio se inicia

Com a ideia em mente, Ponzi começou a captar dinheiro para o seu plano. O primeiro passo foi montar uma empresa de ações com capacidade de negociar com o público em geral. Logo depois, conversou com vários conhecidos seus que também investiram em sua ideia. A companhia de Ponzi prometia lucros exorbitantes: 50% do valor investido em 45 dias e 100% de juros em 90 dias. Para se ter uma ideia do que representaria essa taxa de juros, nos EUA da época os bancos costumavam pagar aproximadamente 5% de juros ao ano.

Com essa diferença, não foi difícil para Charles Ponzi conseguir milhares de pessoas dispostas a investir suas economias em seu negócio inovador. Assim sendo, o esquema foi crescendo de forma exponencial e em maio de 1920, já havia arrecadado mais de 400 mil dólares. Logo depois, no final de julho, já entrava para os cofres da empresa de Ponzi mais de um milhão de dólares por dia. Nesse momento, a empresa abriu novas filiais em outros estados da costa leste norte-americana.

O banco

Com tanto dinheiro, Ponzi resolveu que o céu era o limite e resolveu depositar o valor no Hanover Trust Bank, da cidade de Boston. A ideia, desde o início, era chegar a uma posição de influência na instituição bancária. A ideia deu certo e Charles Ponzi conseguiu chegar ao cargo de presidente do banco, comprando a posição de acionista majoritário. Logo após, milhares de pessoas já estavam se desfazendo de suas posses, casas e economias para depositar na empresa e banco de Ponzi. Ou seja, nessa época, o esquema já era absurdamente grande e crescia a passos largos.

Com o esquema cada vez mais divulgado ao público, muitas pessoas de alta renda passaram a confiar parte de seu dinheiro a Charles Ponzi. Na verdade, ele era “democrático” em seu esquema, enganou os ricos que chegavam a entregar-lhe milhares de dólares e também os mais humildes que investiam alguns poucos dólares.

O final do esquema

Durante o período do funcionamento do esquema, Ponzi foi desafiado várias vezes a explicar o seu negócio e muitos diziam ser impossível tal margem de lucro em um negócio como o que ele alegava fazer. Contudo, ele se defendeu em várias ocasiões, inclusive processando um jornal local por tê-lo acusado de trapaceiro. Surpreendentemente, ele conseguiu ganhar a ação e com ela a incrível soma de 500 mil dólares.

Mas mesmo assim, o esquema iria cair em algum dia. Então, o dia escolhido pelo destino de Ponzi foi 11 de agosto de 1920. A queda se iniciou com uma reportagem sobre as suas atividades criminosas anteriores e investigações das autoridades que finalmente o levaram à prisão. Por fim, levantou-se que seu esquema lesou milhares de pessoas em aproximadamente 20 milhões de dólares. Mas também lhe rendeu um total de 12 anos de cadeia em dois estados diferentes e a sua deportação imediata assim que deixou a prisão.

Além disso, outro fato interessante é que mesmo no período posterior a sua prisão e no qual já se encontrava provada a sua culpa, ele ainda recebia cartas na prisão com felicitações em datas comemorativas e de ofertas de dinheiro para investimentos de muitos daqueles que havia enganado.

Depois da deportação

Na Itália, ele ainda tentou empregos diferentes e outros esquemas fraudulentos, mas nada no estilo daquele que havia realizado anos antes. Alguns anos depois veio para o Brasil, como funcionário da empresa aérea estatal italiana Alia Litoria.

Foi demitido no final das operações da empresa no Brasil, ocorrido devido às entrada do país na Segunda Guerra Mundial contra os países do Eixo.

Ponzi passou os últimos anos de sua vida na pobreza, trabalhando ocasionalmente como tradutor. Sua saúde se deteriorou e, em 1941, sofreu um ataque cardíaco. Sua visão começou a se tornar mais fraca e, em 1948, ele estava quase completamente cego. Uma hemorragia cerebral paralisou a perna e o braço direitos. Ele morreu no Hospital São Francisco de Assis da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 18 de janeiro de 1949.

Fazendo escola

Apesar de muito divulgada como uma fraude insustentável no longo prazo, vários outros esquemas parecidos com esse esquema idealizado por Charles Ponzi continuam a ser aplicados em vários locais do mundo. Ademais, vários deles já se encontram adaptados à internet e às moedas virtuais ou criptomoedas ou a outros negócios modernos.

Com toda a certeza, um dos mais famosos esquemas Ponzi dos últimos anos foi perpetrado por Bernie Madoff, presidente de uma empresa de investimento norte-americana, que lesou investidores em mais de 22 bilhões de dólares.

Mas não acredite que isso é privilégio do exterior, no Brasil, um dos casos de esquema Ponzi mais conhecidos foi o das Fazendas Reunidas Boi Gordo ocorrido na década de 90. Seduzidos pela oportunidade de lucrar no mínimo 42% no período de um ano e meio, 30 mil investidores perderam cerca de 3,9 bilhões de reais.

Em Portugal, durante os anos 70 e 80 do século passado, Dona Branca, como era conhecida a senhora Maria Branca dos Santos, lesou milhares de pessoas em 17,5 bilhões de escudos à época. Por isso, ela foi detida em 1984 e foi condenada a 10 anos de prisão em 1989.

Isso é tudo por hoje e assim sendo, até a próxima!!

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Fontes: Biography, Folha de São Paulo, Monitor de Fraudes, Superinteressante, Fatos Desconhecidos, Portal do Filatelista Temático