Série Biografia – Quem foi Clarice Lispector??

Por certo, você deve estar acompanhando a nossa série com as biografias de grandes personalidades. A nossa personagem de hoje é uma jornalista e escritora nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira: Clarice Lispector. Assim sendo, vem com a gente em mais essa viagem pela história.

Da Ucrânia para o Brasil

Clarice Lispector nasceu em uma aldeia ucraniana chamada Chechelnyk, em 10 de dezembro de 1920 com o nome de Chaya Pinkhasovna Lispector. Seus pais eram os judeus Pinkhas e Mania Lispector e devido ao antissemitismo que aumentava de forma dramática naquela região na época, a família obrigou-se a sair do país. Além de Chaya, Pinkhas e Mania ainda tiveram duas outras filhas: Tania e Leah.

Inicialmente a família tentou realizar a emigração para a América do Sul de forma legal, contudo estavam proibidas as saídas de judeus do país. A solução foi fugir através da fronteira com a Romênia, cruzando o Rio Dniester, diretamente para a cidade de Soroco. Somente no mês de janeiro de 1922 que o consulado russo em Budapeste autorizou a emigração da família para o Brasil, onde outros familiares já os esperavam. Logo na chegada do Brasil, os Lispector adotaram novos nomes que normalmente eram usados no país.

Primeiros anos

A primeira cidade onde residiram no Brasil foi a capital de Alagoas, Maceió. A família escolheu essa cidade pois já abrigava Zaina, irmã da mãe de Clarice. Naqueles dias, uma família de imigrantes sem posses sofreria grandes dificuldades para se sustentar, como poderia se imaginar. Assim sendo, o pai de Clarice resolveu iniciar uma atividade comercial de subsistência na qual comprava roupas usadas em áreas carentes para revendê-las aos comerciantes da cidade. Além disso, ele também dava aulas de hebraico para filhos de vizinhos e passou a fabricar sabão em sociedade com José, cunhado de sua esposa.

Contudo, a estada na cidade de Maceió foi curta e, em 1925, a família mudou-se novamente, desta vez para a cidade do Recife. Com 9 anos, Clarice ficou órfã de mãe. Aos 10 anos escreveu a sua primeira peça teatral baseada em uma outra obra que havia visto. Ela a nomeou como “Pobre menina rica”, mas infelizmente os registros foram perdidos. No ano seguinte, passou a enviar alguns contos para a página infantil do jornal “O Diário de Pernambuco”, mas nenhum deles foi publicado pois não se encontravam no formato que o jornal desejava. Em 1933, decidiu que deveria se tornar escritora pois sentiu que precisava preencher um vácuo.

Juventude

Com 14 anos, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde estudou em algumas das melhores escolas da cidade. Em 1936, terminou o ginásio e no ano seguinte iniciou o curso preparatório para o ingresso na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Segundo ela, a ideia que a motivou a escolher o curso de direito foi a de “reformar as penitenciárias”. Mesmo durante esse período, costumava trabalhar como professora particular de matemática e português, com o intuito de auxiliar na renda familiar. Naqueles tempos, o pai de Clarice Lispector trabalhava como representante comercial na cidade.

Seus estudos preparatórios a levaram a ingressar no curso superior da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1939. Nessa mesma época, trabalhava como secretária em um escritório de advocacia e em um laboratório. Nos tempos livres, fazia traduções de textos científicos para jornais e revistas. No ano seguinte é registrada a publicação de seu primeiro conto conhecido, “Triunfo”, na extinta revista Pan.

O pai de Clarice faleceu em agosto de 1940 após complicações resultantes de uma cirurgia de vesícula. A partir de então, ela e sua irmã Leah (que havia mudado seu nome para Elisa) passaram a residir com Tania e seu marido, William Kaufmann, um comerciante de móveis, nas proximidades do Palácio do Catete.

Mudando de carreira

Nessa época, Clarice já se mostrava insatisfeita com o trabalho como secretária e sentiu a necessidade de fazer seus textos renderem uma atividade remunerada para ela. Assim sendo, buscou as redações de jornais e revistas da cidade do Rio de Janeiro oferecendo seus contos para publicação. Mas o interessante sobre esse acontecimento se deu na redação da revista Vamos Ler!, uma extinta revista da cidade, que se destinava a um publico masculino da elite.

Segundo a própria Clarice, ela teria falado a Raymundo Magalhães Junior, jornalista da revista e também secretário do ministro da propaganda do governo federal, em uma época de muita censura. Raymundo teria perguntado a Clarice de quem ela teria copiado o texto que apresentou a ele, mas ao receber a resposta óbvia de que o texto tinha sido escrito por ela própria, decidiu imediatamente publicar.

Jornalista

Em 1941, começou a trabalhar como tradutora para a Agência Nacional, um órgão governamental que se propunha ser uma agência de notícias do governo federal, na época, comandado por Getúlio Vargas, em plena época do Estado Novo. Logo depois, passou a desempenhar também a atividade de repórter dentro da Agência Nacional, cobrindo eventos do governo e entrevistando autoridades civis e militares da época. Concomitantemente, continuava a publicar seus contos em jornais e revistas da época, como a já citada Vamos Ler!, Diário do Povo e o semanário Dom Casmurro.

Nessa mesma época, através de uma colaboração com a revista universitária A Época, publicou os ensaios “Observações sobre o fundamento do direito de punir” e “Deve a mulher trabalhar?”.

Casamento, primeiro romance e outros trabalhos

Em 1941, iniciou um relacionamento amoroso com Maury Gurgel Valente, um colega universitário da faculdade de direito. O casamento entre os dois só foi celebrado em 1943 pois o jovem Maury havia ingressado no serviço diplomático brasileiro da época e havia uma lei que proibia os seus membros de casarem com estrangeiros, condição ainda ostentada por Clarice. Depois que a sua naturalização foi concedida, o casamento pôde ser realizado.

Em fevereiro de 1943 passou a trabalhar como redatora do jornal A Noite, e lá ganhou o seu registro profissional como jornalista. Nesse mesmo ano passou a trabalhar em seu romance “Perto do Coração Selvagem”, publicado no início do ano seguinte. Pela obra, Clarice Lispector, recebeu o Prêmio Graça Aranha. Nessa mesma época, começou a escrever seus segundo romance, “O Lustre”.

Itália e Suíça

Em meados de 1944, seu marido foi transferido para o consulado brasileiro em Nápoles e logo após, o acompanhou para a Itália. Quando chegou à região, estava ocorrendo a Segunda Guerra Mundial e com o intuito de auxiliar o esforço aliado, requisitou às autoridades militares, uma permissão especial para realizar trabalho voluntário e auxiliar as enfermeiras de um hospital de campanha aliado em Nápoles.

No início de 1946, publicou o romance “O Lustre” e soube da transferência de Maury para a cidade de Berna, Suiça. Seu primeiro filho, Pedro, nasceu em 1948 e seu segundo filho, Paulo, em 1953.

Divórcio e a volta ao Brasil

Devido às constantes viagens de seu marido e a outros problemas familiares, Clarice se divorciou de Maury em 1959, retornando para se dedicar a seus filhos e carreira. Logo depois de seu retorno, fixou residência novamente na cidade do Rio de Janeiro. Em seguida, passou a publicar uma coluna chamada “Correio feminino – Feira de Utilidades”, no jornal Correio da Manhã, utilizando o pseudônimo de Helen Palmer.

Em 1960 publicou seu primeiro livro de contos, “Laços de Família”. No ano seguinte, publicou o livro “A Maçã no Escuro”, que lhe rendeu o prêmio de melhor livro do ano em 1962. No ano de 1964 veio a obra “A Legião Estrangeira” e logo depois “A Paixão Segundo G. H.”.  Em 1967 publicou “O Mistério do Coelhinho Pensante”. Logo após, passou a integrar o Conselho Consultivo do Instituto Nacional do Livro.

Em 14 de setembro de 1966, provocou um incêndio de grandes proporções ao dormir com seu cigarro aceso. O quarto onde dormia ficou destruído e Clarice teve de ser hospitalizada em estado grave. Devido a esses ferimentos, teve de receber cuidados intensivos por três dias e teve risco de amputar a sua mão direita. De acordo com relatos da época, Clarice tinha iniciado o vício de fumar e beber ainda na adolescência.

Durante a década de 1970, ainda publicou “Água Viva”, “Felicidade Clandestina”, “Via Crucis do Corpo” e “Onde Estivestes de Noite?”. Por certo, com tantas obras de sucesso, passou a ser reconhecida pelo público e pela crítica e, em 1976, recebeu o prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal, pelo conjunto de sua obra.

A “bruxa da literatura brasileira” e a última obra

No ano de 1975, Clarice foi convidada para participar do I Congresso Mundial de Bruxaria, na cidade de Cali, na Colômbia. Durante o evento, a sua aparição foi muito rápida, na qual falou um pouco de seu conto “O Ovo e a galinha” mas foi o suficiente para que fizesse muito sucesso entre os participantes. Logo após retornar ao Brasil, foi alvo de muitas matérias que descreviam algumas aparições dela com roupas pretas e vários amuletos. Isso fez com que Clarice Lispector passasse a ser conhecida como “a grande bruxa da literatura brasileira”.

Clarice Lispector publicou a sua última obra em vida, “A Hora da Estrela”, em 1977. Seu falecimento ocorreu em 9 de dezembro de 1977, no Rio de Janeiro, devido a um câncer de ovário. Após isso, foram publicadas algumas obras póstumas de grande interesse.

Isso é tudo por hoje e assim sendo, até a próxima!!

Curta nossa fanpage no Facebook!!

Veja também: Série Biografia – Quem foi Tarsila do AmaralBiografia – Quem foi Monteiro Lobato

Fontes: Clarice Lispector IMS, Pensador, Cultura Genial, Mundo Educação, UOL, Toda Matéria