Biografia – Quem foi Martin Luther King

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O tema dos direitos civis de várias populações está em evidência e até é central de discussões em vários campos da atividade humana. Então, para falarmos um pouco desse assunto, nada melhor que conhecer um pouco sobre um grande personagem em nossa série biografias, um dos maiores nomes do ativismo por vários desses direitos: Martin Luther King. Então, conheça um pouco sobre a biografia de Martin Luther King

Infância e primeiros passos

Martin Luther King Júnior nasceu na cidade norte-americana de Atlanta em 15 de janeiro de 1929, filho de Martin Luther King, um pastor da Igreja Batista e Alberta Williams King, professora. Era o filho do meio e tinha como irmã mais velha Christine e irmão mais novo Alfred. Cresceu no bairro de Sweet Auburn, um bairro de maioria negra da cidade de Atlanta.

Iniciou sua vida religiosa cantando no coral da igreja do seu pai, que na época era organizada pela sua mãe que também tocava órgão. Seus pais levaram a várias igrejas batistas para cantar, o que o incentivou a seguir os mesmos caminhos de seu pai e também ser pastor.

Apesar de possuir uma relação que, às vezes, poderia ser conceituada como conflituosa em relação ao seu pai, viu nele as primeiras demonstrações de protesto contra as leis de segregação existentes nos Estados Unidos naquela época. Só para exemplificar, houve uma ocasião na qual seu pai se recusou a ouvir um policial de trânsito depois de ter sido chamado por ele de “garoto”. Em outra, saiu de uma loja de sapatos quando foi informado por um vendedor de que teria que ir para os fundos da loja para ser atendido.

Escola

Ainda, de acordo com relatos sobre sua biografia, antes de entrar na escola, um dos seus melhores amigos era um menino branco. A amizade teve que acabar pois, quando chegar aos 6 anos, as duas crianças tiveram que estudar em escolas separadas e o pai de seu amigo proibiu a amizade.

Desde jovem, King era reconhecido pelas suas capacidades de falar em público e fazia parte da equipe de debate da escola. Em 1942, ganhou o primeiro prêmio em um concurso de oratória na cidade de Dublin, estado da Geórgia. Apesar do prêmio, ocorreu um momento de constrangimento pois tanto ele quanto seu professor foram obrigados pelo motorista do ônibus a ficar em pé para deixar os passageiros brancos sentarem. De acordo com declarações dele, esse teria sido o momento em que ele esteve mais irritado em sua vida.

Após se formar no Morehouse College, em 1947, King decidiu entrar no ministério Batista por concluir que a igreja oferecia a maneira mais segura de responder a um desejo interior de servir a humanidade. Aos 25 anos, King passou a ser pastor na Igreja Batista da cidade de Montgomery, estado do Alabama. Atingiu o grau de doutor em Teologia Sistemática pela Universidade de Boston, em 5 de junho de 1955.

Lutando pelos direitos civis

Antes de entender a importância da luta de Martin Luther King, devemos entender o que eram as odiosas leis de Jim Crow. Normas que passaram para a história como uma das mais vergonhosas formas de institucionalização de segregação racial.

As leis de Jim Crow eram leis estaduais ou, às vezes, dos condados norte-americanos que impunham segregação racial nos Estados do sul dos Estados Unidos. Elas começaram a ser promulgadas no final do século 19 e início do século 20 e foram aplicados até meados da década de 1960. A sua revogação ocorreu por insistência em luta de grupos. Algumas dessas leis não permitiam o casamento entre pessoas brancas e negras, não permitiam que certos lugares fossem frequentados por negros e previam a institucionalização de locais separados para o atendimento a pessoas brancas e negras, por exemplo.

Algumas insurgências contra tais leis eram registrados de forma pontual em alguns locais, mas um dos eventos que mudaram a história ocorreu em março de 1955: a insurgência de Claudette Colvin, uma jovem de 15 anos que recusou se a levantar de seu assento no ônibus da cidade de Montgomery para que um homem branco se sentasse.

Rosa Parks

Em 1º de dezembro do mesmo ano ocorreu um incidente semelhante e com repercussões ainda maiores. Naquela ocasião, Rosa Parks foi presa também por se recusar a levantar-se do seu assento em um ônibus da cidade. A soma dos dois incidentes levou a um boicote geral dos ônibus de Montgomery, planejado por outro grande nome da luta pelos direitos civis, Edgar Daniel Nixon e liderado por King. Mesmo com todas as ameaças por parte de grupos contrários a ação, o boicote durou 382 dias. Ademais, foi nessa mesma ocasião que o primeiro atentado a sua vida foi feito, com o lançamento de uma bomba em sua casa.

No primeiro discurso como líder do boicote aos ônibus de Montgomery, King declarou: “não temos alternativa a não ser protestar. Por muitos anos, demonstramos uma paciência incrível. Às vezes, demos a nossos irmãos brancos a sensação de que gostávamos da maneira como estávamos sendo tratados. Mas chegamos aqui hoje à noite para sermos salvos dessa paciência que nos torna pacientes com algo menos que liberdade e justiça”.

O movimento foi vitorioso e em 13 de novembro de 1956 a suprema corte norte-americana declarou que a lei de segregação racial nos ônibus da cidade Montgomery não existia mais. Logo depois ocorreu um dos eventos mais memoráveis dessa página da história: em 21 de dezembro de 1956, Martin Luther King e Glen Smiley, um pastor branco da cidade, sentaram-se juntos na primeira fila de um ônibus.

A luta se intensifica

Em 1957, King e outros grandes ativistas dos direitos civis fundaram a Southern Christian Leadership Conference, que poderia ser traduzida como a Conferência de Liderança Cristã do Sul e foi criada para organizar as igrejas negras e conduzir protestos não violentos com o objetivo de realizar reformas em prol dos direitos civis.

A partir desse momento, órgãos governamentais já se encontravam investigando as ações de King e de outros ativistas dos direitos civis e as atividades da conferência e de outras organizações criadas com finalidades semelhantes.

Não-violência

Desde a sua criação, a organização criada por King tomou parte de várias atividades com o intuito de protestar contra as leis de segregação. Uma delas ocorreu em fevereiro de 1960 quando um grupo de estudantes de Greensboro, na Carolina do Norte, começaram a se sentar em restaurantes, nos locais públicos destinados apenas a brancos. Mas quando eram solicitados a se retirar, permaneciam sentados, causando reações por parte dos proprietários e clientes. Logo após, o movimento ganhou força e se difundiu para várias outras cidades.

Sempre que podia, King incentivava as pessoas a continuarem usando métodos não violentos durante seus protestos. Logo depois de se alastrarem, as manifestações iniciadas pelos estudantes conseguiram o feito de acabar com a segregação racial em restaurantes em 27 cidades até agosto daquele mesmo ano.

Foto de Stephen F. Somerstein

Não demorou muito e King participou de outra manifestação não violenta, dessa vez na cidade de Atlanta. Ele e 75 estudantes entraram numa loja de departamentos da cidade e solicitaram atendimento, quando o seu pedido foi negado recusaram-se a deixar o local. King outros 36 foram presos, mas as autoridades retiraram as acusações com medo da repercussão negativa que isso teria para a cidade.

Nesse ponto, Martin Luther King já era perseguido pelas autoridades e foi preso devido a um simples delito de trânsito logo depois. Durante a campanha presidencial norte-americana de 1960, o candidato John Kennedy expressou sua preocupação pelo tratamento severo que King havia recebido pela multa de trânsito. Logo depois, a pressão política que se seguiu fez com que as autoridades o liberassem da prisão.

A campanha de Birmingham

Outro evento que marcou profundamente a biografia de Martin Luther King foi conhecido como a campanha de Birmingham, quando ele e outros membros da Conferência de Liderança Cristã do Sul incentivou a população da cidade de Birmingham, estado do Alabama, a usar de protestos não violentos para ocupar espaços públicos e violar abertamente as leis que eram consideradas injustas. A intenção era provocar prisões em massa e criar uma situação caótica e que inevitavelmente abriria as portas para negociações.

Durante os protestos, o departamento de polícia da cidade, que na época era comandado por Eugene “Bull” Connor respondeu com violência atacando os manifestantes, incluindo crianças e idosos. Foram utilizados jatos de água de alta pressão e cães policiais. As imagens não demoraram a correr todo o território do país e as pessoas ficaram chocadas com a repressão policial. Apesar de criticada, a iniciativa foi um sucesso e fez com que o comandante da força policial da cidade perdesse o emprego, a cidade se tornasse mais aberta aos negros e várias leis de segregação fossem revogadas.

King foi preso no início dos protestos e essa foi a sua 13ª prisão de um total de 29 que teria durante a sua vida. Da cela, ele escreveu uma de suas comunicações mais famosas: a “Carta da Cadeia de Birmingham”.

Após o sucesso de Birminghan, King permaneceu em atividade lutando pelos direitos civis e sua organização correu vários estados do sul norte americano em outras atividades, que mudavam de forma pontual a realidade dos locais onde ocorriam.

Eu tenho um sonho

Era março de 1963, quando uma marcha pelos direitos civis chegou com mais de 250 mil pessoas a cidade de Washington. Essa multidão pode ouvir o discurso de Martin Luther King que entrou para história como: “I have a dream” (“eu tenho um sonho”). Essa marcha fez com que o presidente norte-americano da época, John Kennedy, se comprometesse em agilizar a adoção de políticas contra a segregação racial. Por fim, isso culminou na criação da lei dos direitos civis, em 1964.

A luta de Martin Luther King pelos direitos civis não se encerrou com a adoção de tais leis, pois ainda haviam muitas questões a tratar. King não lutou apenas pelo fim da segregação racial mas também ingressou o movimento pacifista que se opunha a Guerra do Vietnã. Em 14 de outubro de 1964, recebeu o Nobel da Paz pelo combate a desigualdade racial através da desobediência civil e de práticas não violentas.

Assassinato de King

Tantas manifestações pelos direitos de pessoas que até então eram excluídas pela sociedade fez Martin Luther King colecionar muitos inimigos que o ameaçava, de morte ou tramavam planos para encerrar as suas atividades. Isso culminou no seu assassinato, em 4 de Abril de 1968, quando se preparava para participar de uma marcha na cidade de Memphis, Tenessee. O assassino confesso, James Earl Ray, anos depois afirmou que sua confissão não era válida. Contudo, isso de nada lhe serviu e ele foi condenado à pena de 100 anos de prisão.

A prisão de James Earl Ray

O assassinato de Martin Luther King causou uma onda de revoltas por várias cidades do sul dos Estados Unidos. Algumas dessas revoltas foram reprimidas com muita violência o que causou a morte de 39 manifestantes e a prisão de aproximadamente 8 mil pessoas.

Desde 1986, a terceira segunda-feira do mês de janeiro é o dia de Martin Luther King, feriado nos Estados Unidos. Desde 1993, o feriado é celebrado em todos os estados do país. Kinga ainda recebeu, de forma póstuma, a Medalha Presidencial da Liberdade, em 1977, e a Medalha de Ouro do congresso, em 2004. Após a sua morte, centenas de ruas de todos os estados norte-americanos foram renomeadas em sua homenagem.

Isso é tudo por hoje e assim sendo, até a próxima!!

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Fontes: Superinteressante, Britânnica, Biography, History, Nobel Prize, Zumbi dos Palmares, G1, Revista Veja, BBC, Palmares, Anistia Internacional, DW