Série Biografia – Quem foi Princesa Isabel??

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Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon, ou como ficou mais conhecida: Princesa Isabel, marcou seu nome na história do Brasil Império e suas ações como regente do país refletem até os dias atuais. Mas você sabe quem foi ela?? Então, venha conosco em mais uma viagem no tempo para conhecer um pouco sobre a sua biografia.

A Princesa do Brasil

Isabel nasceu no Palácio São Cristóvão, Rio de Janeiro, no dia 29 de julho de 1846. Era filha da Imperatriz Tereza Cristina e do Imperador D. Pedro II. Foi batizada em 15 de novembro de 1846 durante uma cerimônia muito elaborada e concorrida na Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, no Bairro da Glória, cidade do Rio de Janeiro.

Após a morte de seus dois irmãos, Pedro e Afonso, foi declarada como princesa imperial e a partir de então se tornou a herdeira do trono brasileiro. Logo depois disso, o imperador e sua esposa tiveram outro herdeiro homem que batizaram como Pedro Afonso. Contudo, o jovem também faleceu na infância. Assim sendo, a Princesa Isabel permaneceu sendo a herdeira da Coroa Brasileira.

Educação

Como era de praxe para os membros da família real brasileira daqueles tempos, sua educação foi realizada com muito esmero e cuidado. Para isso, D. Pedro II designou como sua preceptora, a Condessa de Barral, Luísa Margarida de Barros Portugal. Vale lembrar que a Condessa era muito próxima da família real brasileira e dama de companhia da irmã de Dom Pedro II, a Princesa de Joinville, D. Francisca de Bragança.

De acordo com historiadores, segundo decisão de Dom Pedro II, a educação de suas duas filhas não devia diferir daquela que seria dada aos homens, combinada com aquilo que fosse conveniente a que era dada às mulheres. No entanto, isso não poderia significar que a educação como um todo fosse desconfigurada. Durante seus anos como estudante, Isabel recebeu lições de vários professores importantes da época, teve lições de vários assuntos diferentes e apresentou grande interesse pelo aprendizado. Em todo esse período foi acompanhada pela sua irmã, Princesa Leopoldina, que recebeu a mesma educação.

Durante esse período, as princesas receberam aulas de diversas disciplinas como, por exemplo: Latim, História de diversos países, Português, Matemática, Literatura, Desenho, Piano, Geografia e Geologia. Isabel, ao final de seus estudos falava, de forma fluente, além do Português, Alemão, Francês e Inglês.

A constituição do período imperial do Brasil exigia que fosse prestado um juramento por parte do herdeiro do trono brasileiro e aos 14 anos, Isabel jurou “manter a religião católica, observar a constituição política do País e ser obediente às leis e ao imperador”.

A infância e adolescência

A infância de ambas princesas da família real brasileira foi registrada nos palácios do governo, mas principalmente no Palácio de São Cristóvão, na época conhecido como Palácio Imperial. Contudo, como era de praxe, durante os verões, boa parte da corte se deslocava para a cidade de Petrópolis, na região serrana do estado do Rio de Janeiro e por lá permaneciam alguns meses.

Também era observado pela sociedade da época que Isabel vivia uma vida quase completamente reclusa em relação ao mundo, longe dos olhos dos brasileiros. De acordo com fontes, sua infância se desenvolveu com poucos amigos além de sua irmã. Entre eles podemos citar Horace Dominique, o único filho da Condessa de Barral, que era considerado por Isabel e Leopoldina quase como um irmão mais novo.

O matrimônio

Você deve saber que casamentos entre famílias reais procuram preservar as “linhagens” da nobreza e criar laços entre as nações, não é verdade?? Pois bem, com a nossa personagem de hoje não foi diferente. Quando ela ainda possuía a idade de 14 anos se iniciaram várias tratativas por parte da família real para realizar o casamento de Isabel com algum príncipe do continente europeu.

Pouco tempo depois, em 15 de outubro de 1864 foi realizado o casamento da Princesa Isabel com o príncipe Gastão de Orleans. O príncipe entraria para a história conhecido como Conde d’Eu. O jovem era filho de Luís de Orleans e além disso era neto do rei Luís Filipe I, que comandou a França entre 1830 até a sua abdicação em 1848.

Contudo, o conde não foi a primeira opção de Dom Pedro II, já que também haviam sido considerados como possíveis candidatos: Filipe da Bélgica, filho do rei Leopoldo I da Bélgica, e Nicolau de Leuchtenberg, sobrinho da imperatriz-viúva Amélia do Brasil, madrasta de Dom Pedro. O ponto definitivo que levou a escolha do Conde D’Eu foi preferência de Dom Pedro II por um pretendente da nobreza francesa para o matrimônio.

Durante a cerimônia de seu matrimônio foi realizado um grande cortejo pelas ruas da capital di Império. Ele saiu do Palácio São Cristóvão, e seguiu para a capela do Paço Imperial, local de realização da cerimônia. O celebrante foi Dom Romualdo Antônio de Seixas, que na época era o Arcebispo Primaz do Brasil. Da união entre a Princesa Isabel e o Conde D’Eu nasceram quatro filhos: Luísa Vitória, Pedro, Luís e Antônio.

O Conde D’Eu

Como dissemos, os casamentos entre pessoas pertencentes à nobreza eram muito comuns e ditavam as regras das uniões entre seus membros. Contudo, ao que parecia, por registros realizados pela própria Princesa Isabel, ela realmente se encontrava apaixonada pelo Conde.

Entretanto, mesmo com a relação saudável com a princesa, Conde d’Eu não era bem visto por outros membros da corte brasileira. Historiadores relatam que isso se devia principalmente por ser francês. Além disso, era acusado de ser uma pessoa grosseira, tinha um problema de audição e não falava bem o português.

Ele foi mandado para a Guerra do Paraguai após ordem expressa do próprio Dom Pedro II, com o intuito de substituir o Duque de Caxias no comando das tropas no país vizinho. Ao retornar do teatro de operações foi recebido como herói no Rio de Janeiro, apesar de alguns setores o criticarem por diversas decisões tomadas durante o conflito. Ademais, durante os anos seguintes foi sempre um dos principais alvos das críticas destinadas aos membros da coroa.

As Regências

Isabel e seu marido estavam em viagem pela Europa após o fim da Guerra do Paraguai nos anos de 1870 e 1871 quando, durante a sua estada em Viena, na época parte da Áustria-Hungria, souberam que a Princesa Leopoldina adoeceu e morreu de febre tifoide. Isso fazia com que a Princesa Isabel fosse a única filha viva de Dom Pedro II e D. Teresa Cristina.

De volta ao Brasil, em 29 de julho de 1871, a Princesa Isabel tornou-se a primeira senadora do Brasil. Tal acontecimento foi registrado no Senado do Império diante de todos os membros daquela casa da época, em uma cerimônia na qual realizou o juramento à constituição exigido por lei. Naquele mesmo ano, D. Pedro II realizou uma viagem para a Europa e a Princesa Isabel assumiu pela primeira vez a regência do império. Ao todo, foram três as ocasiões em que isso ocorreria, como veremos a seguir.

Primeira Regência

Com a saída de Dom Pedro II do Brasil, a Princesa Isabel foi nomeada regente com poderes totais para governar o país na ausência do imperador. Contudo, devido a falta de experiência da jovem princesa, na verdade o Visconde do Rio Branco, José Maria da Silva Paranhos, que na época era o Presidente do Conselho de Ministros, foi quem realmente cuidou do governo e manteve o verdadeiro poder.

Foi nessa regência que uma lei muito importante para acelerar o fim da escravidão foi sancionada em 27 de setembro de 1871. Era a chamada Lei do Ventre Livre que, como se pode concluir a partir de seu nome, alforriava todas as crianças nascidas de escravas a partir daquela data. Claro que o trabalho de Isabel nessa lei foi de apenas sancioná-la, mas de acordo com relatos da época, ela concordava com a liberdade para os escravos e acreditava que isso deveria acontecer com celeridade.

A regência foi marcada por um período estável, e apesar de ter sido muito curta, deixou o legado de avanço nas questões do fim da escravatura. O imperador retornou ao Brasil em março de 1872 e a partir de então a princesa retornou às suas atividades normais.

Segunda Regência

Em março de 1876 o imperador realizou uma nova viagem internacional, desta vez para a América do Norte, Europa e Oriente Médio. Com isso, surgiu novamente o compromisso para Isabel assumir a regência do império. Esse período foi muito mais desafiador que o anterior pois seriam realizadas eleições para a escolha do gabinete de ministros do Império no final daquele mesmo ano.

Por fim, as eleições foram positivas para a Coroa Brasileira pois mantiveram o gabinete governamental liderado por Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias. Entretanto, foram realizadas inúmeras acusações de  atos violentos e de fraudes durante a campanha. Com isso ocorreu uma deterioração da imagem do governo e da própria princesa.

Outro ponto de tensão que a princesa teve que enfrentar foi um conflito entre a Igreja e o Estado. Devemos lembrar que, na época do Império, não havia ainda a separação entre igreja e estado e isso era um problema constante e alvo de críticas por vários setores da sociedade. De qualquer forma, essa situação ajudou ainda mais a minar a popularidade da princesa.

Outro complicador desse período foi uma gravidez muito difícil que enfrentava, além de um grave bronquite sofrida por Conde D’Eu. Isso fez com que ela tivesse que se afastar dos assuntos da corte e enfrentasse ainda mais desgaste por parte da opinião pública. Uma grave seca no Nordeste também não ajudou para que a regente recebesse menos críticas. É importante lembrar que nessa época, já fervia o movimento republicano e outros vários movimentos descontentes com a existência do Império. Após tais acontecimentos foi registrado o retorno do imperador para o Brasil em setembro de 1877 e com isso, o afastamento de Isabel da regência.

Terceira Regência

Finalmente chegamos ao terceiro período de regência de Isabel. Como veremos, esse período é importante por diversos motivos e mudou profundamente o Brasil a partir de então. Depois de seu segundo período de regência, Isabel passou uma grande temporada na Europa, onde buscou tratamento para seu filho, Pedro de Alcântara e depois de voltar dedicou-se a seus afazeres normais na corte. Tempos depois, realizou uma grande viagem pelas províncias do Sul e Sudeste junto a seu marido. Em janeiro de 1887, o casal decidiu realizar nova viagem ao continente europeu, mas teve que desistir devido ao estado de saúde do Imperador.

Com isso, na verdade foi Dom Pedro II que teve que ir para a Europa por recomendação médica em 30 de junho de 1887. Isso fez com que Isabel entrasse em um novo período de regência. Essa regência se iniciou em pleno fervor abolicionista e de grupos republicanos e Isabel se convenceu de que deveriam ser tomadas providencias imediatas para libertar mais escravos. Ela até tentou convencer o líder do gabinete da época, João Maurício Wanderley, o Barão do Cotegipe a tomar tais ações, mas suas tentativas foram em vão. Ademais, é importante ressaltar que o Barão de Cotegipe pertencia ao partido conservador e era contra a abolição da escravatura. De acordo com registros da época, ele foi o único senador a votar contra a Lei Áurea em 1888.

Além disso, os militares estavam entrando em uma onda perigosa de insubordinação. Com isso, após um embate entre militares da alta cúpula e o chefe do gabinete de ministros, Isabel desfez o seu gabinete de ministros. Em seguida nomeou o conservador João Alfredo Correa de Oliveira, reconhecidamente abolicionista, para o lugar.

A Lei Áurea

Apesar de todas as realizações da Princesa Isabel, com toda a certeza ela é mais conhecida pela história por estar à frente do governo durante a assinatura da Lei Áurea. Devemos lembrar que o novo gabinete escolhido pela princesa era formado por pessoas que eram a favor da abolição incondicional da escravatura. Com isso, em 8 de maio, esse gabinete apresentou uma proposta de lei na Câmara dos Deputados com a abolição total e irrestrita da escravidão. Os deputados aprovaram o texto em 10 de maio e o passaram para o Senado, que o aprovou em 13 de maio. A Princesa Isabel não perdeu tempo e no mesmo dia sancionou a nova lei. Tal lei entrou para a história como a Lei Áurea e abolia imediatamente a escravidão em todo território nacional.

Por ter tomado parte de tal conquista social brasileira, a princesa passou a ser popularmente aclamada como “A Redentora”, título que rejeitava, por motivos religiosos. Além disso, recebeu uma das maiores honras da Igreja Católica através de decisão do Papa Leão XIII, a Rosa de Ouro. 

Contudo, segundo alguns analistas da época e posteriores, foram esses atos que permitiram que demandas muito mais audaciosas, como a república, ganhassem força e com isso o Império caísse no ano seguinte. Além disso, de acordo com registros da época, o Barão de Cotegipe, ao cumprimentar a Princesa, por ocasião da assinatura da Lei Áurea teria dito: “A senhora acabou de redimir uma raça e perder o trono!”

O terceiro período de regência de Isabel se encerrou em agosto de 1888, quando o Imperador retornou da Europa. Contudo o império não duraria muito mais que um ano, se encerrando após a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889.

A saída do país e o exílio

Com a Proclamação da República, ela e toda a família real brasileira foram obrigados a fugir do Brasil para o exílio. Em um primeiro momento a família foi para Portugal, onde a Imperatriz Tereza Cristina faleceu três semanas depois de chegar. Logo depois o local escolhido para a nova residência foi a França, onde seu marido possuía residências.

Dom Pedro II morreu em dezembro de 1891, com Isabel sendo reconhecida pelos monarquistas, que ainda existiam no país, como a imperatriz. Enquanto isso, as propriedades da família real no Brasil foram vendidas e o dinheiro usado para pagar as dívidas do imperador na Europa. A partir de então, Isabel e sua família passaram a tentar vivar uma vida longe da política do Brasil. Ademais, mesmo as tentativas de monarquistas para recuperar o poder e devolvê-lo a ela não receberam o seu apoio.

Morte

Isabel e sua família permaneceram banidos de todo o território nacional até 1920, quando tal proibição foi retirada. Contudo, nessa época, Isabel já se encontrava com a saúde muito debilitada e mal conseguia andar. Faleceu em 14 de novembro de 1921, aos 75 anos de idade de causas naturais. Conde D’Eu faleceu no ano seguinte e ambos se encontram sepultados na Catedral São Pedro de Alcântara, na cidade de Petrópolis.

Isso é tudo por hoje e assim sendo, até a próxima!!

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Fontes: Ebiografia, Brasil Escola, História do Mundo, Info Escola, Toda Matéria, Mundo Educação, Empresa Brasil de Comunicação