Série Biografia – Quem foi Raposo Tavares

  • por

 

Antônio Raposo Tavares foi um português que veio ao Brasil e se destacou profundamente como bandeirante e, como veremos, participou de vários eventos importantes para a nossa história. Então, tenha em suas mãos o seu bacamarte e venha conosco conhecer um pouco sobre a biografia de Raposo Tavares.

Raposo Tavares

Antônio Raposo Tavares nasceu em São Miguel do Pinheiro, uma antiga freguesia que se localizava no Conselho de Mértola, em Portugal. Sua mãe se chamava Francisca Pinheiro da Costa Bravo e seu pai Fernão Vieira Tavares. Logo cedo, recebeu educação judaica por parte da sua madrasta, segunda esposa de seu pai, Maria da Costa. É importante ressaltar que, naquela época, a família vivia na região portuguesa do Alentejo.

De acordo com registros históricos sua madrasta foi presa pelo Santo Ofício por motivos religiosos em junho de 1618 e só foi libertada em 1624. Naquela época, Maria se encontrava sem a companhia de seu marido, que já vivia no Brasil desde 1617. Alguns historiadores creditam alguns dos atos de Raposo Tavares contra os Jesuítas a uma espécie de vingança contra o sofrimento da madrasta, que o havia educado.

Seu pai era o preposto do Conde de Monsanto, donatário da capitania de São Vicente, no território do futuro estado de São Paulo, na qualidade de capitão-mor do lugar. Logo após completar 20 anos, Raposo Tavares partiu ao Novo Mundo para acompanhar as atividades de seu pai. A família tinha grandes ligações com a nobreza portuguesa, que Raposo manteria por toda a sua vida.

Vida pessoal

Raposo Tavares se casou em 1622 com Beatriz Furtado de Mendonça. Sua vida não ficaria longe do bandeirismo já que Beatriz era filha de Manuel Pires, com o qual faria parceria durante a expedição contra o Guairá. Juntos, Raposo Tavares e Beatriz tiveram dois filhos.

Alguns anos depois, ficou viúvo. Contudo, só se casou novamente depois de dez anos com Lucrécia Leme Borges de Cerqueira. Mais uma vez, sua esposa era filha de outro bandeirante famoso: Fernão Dias Paes Leme. Raposo Tavares e Lucrécia tiveram uma filha.

O início no bandeirismo

Seu pai morreu em 1622 e logo após, Raposo Tavares resolveu se transferir para a vila de São Paulo, onde fixou a sua residência. Ali começou a desenvolver várias atividades, mas aquela que chamou mais a atenção do jovem foi a realização de expedições aos interiores do continente para buscar riquezas e aprisionar índios, com o objetivo de escravizá-los.

É importante salientar que capturar índios e vendê-los rendia grandes quantias de dinheiro naquela época pois, desde que a Holanda invadiu a Bahia e dificultou a vinda de escravos africanos, o preço havia aumentado substancialmente.

A Invasão do Guairá

Ruínas de San Ignacio Miní, uma das reduções jesuítas destruídas em 1629

Desse modo, a primeira expedição da qual tomaria parte não demorou. Em 1628, participou da primeira bandeira de sua vida, chefiada por Manuel Preto, na qualidade de capitão de uma de suas quatro companhias. A bandeira com quase 1000 brancos e mamelucos e 2 mil índios rumou para a Província do Guairá, local onde se encontravam as Reduções Jesuíticas do Guairá.

A marcha durou dez meses, entre os anos de 1628 e 1629 e ao final, as 13 reduções jesuíticas que se encontravam no local se encontravam totalmente destruídas. Nessa bandeira, foram aprisionados aproximadamente 100 mil indígenas e os jesuítas espanhóis foram expulsos da região.

Cargos

Logo depois da Invasão ao Guairá, retornou para a vila de São Paulo. Em janeiro de 1633 tornou-se o juiz ordinário da vila, mas não durou muito no cargo já que, logo após, o Conde de Monsanto realizou o ato de seu provimento no ofício de Ouvidor da Capitania de São Vicente.

Três anos mais tarde partiu em nova expedição, desta vez para expulsar os jesuítas espanhóis estabelecidos na região do Tape, no território do atual Rio Grande do Sul

Bandeira contra o Tape

Em 1638, Raposo Tavares decidiu partir em uma nova expedição com destino à região dos índios  Tape, no território do Rio Grande do Sul. Deixou a vila de São Paulo em janeiro, com pouco mais de 100 sertanistas e mil índios. A 2 de dezembro daquele mesmo ano atingiu e atacou a redução de Jesus Maria, que ficava à margem do Rio Jacuí. A luta se estendeu por seis horas, contudo os defensores não resistiram e mais uma vez, milhares de indígenas foram escravizados e a redução destruída.

Logo depois, atacou a redução de San Cristóbal, nos limites do Rio Pardo e a redução de Santana, ambas com o mesmo destino da redução de Jesus Maria, atacada pouco antes. Em janeiro de 1637 a bandeira retornou para São Paulo.

A luta contra os Holandeses

Em 1639 ganhou o encargo, junto a outros bandeirantes da época, de combater os Holandeses que haviam invadido as capitanias de Pernambuco e da Bahia. A organização da expedição coube a D. Francisco Rendon de Quebedo sob a solicitação de Salvador Correia de Sá e Benevides

Em 7 de agosto daquele ano recebeu a patente de capitão diretamente de D. Fernando de Mascarenhas, historicamente conhecido como o 1º conde da Torre. Raposo Tavares convocou e contratou, às suas custas, 150 soldados para a missão. Suas ordens foram de se agregar às forças do mestre de campo Fernando da Silveira.

Contudo, ao contrário das lutas contra as reduções que havia empreendido anos antes, Raposo Tavares e seus comandados foram batidos em combates marítimos e foram obrigados a fugir do campo de batalha. Sua retirada partiu do Cabo de São Roque, no Rio Grande do Norte até a a Capitania da Bahia.

Mesmo com sua tentativa fracassada, Raposo mantinha laços muito importantes com a nobreza portuguesa e em 1642, dois anos após o fim da União Ibérica, Raposo Tavares recebeu o título de Mestre-de-Campo diretamente do Rei de Portugal Dom João IV, O Restaurador.

A Bandeira de Limites

Em 1647, viajou para Portugal e lá recebeu uma incumbência muito importante: a ralização da Bandeira de Limites, que também recebeu o nome de Grande Bandeira aos Serranos. Esse segundo nome se justifica já que assim eram chamados os limites do Peru naquela época.

Em maio do ano seguinte a expedição já se encontrava organizada e pronta para partir do Porto de Pirapitingui, com o objetivo de descer o Rio Tietê em direção ao Mato Grosso.  A principal ideia da expedição era a busca de metais preciosos, principalmente a prata, e outras riquezas, no entanto, Portugal tinha a intenção de que a bandeira expandisse os limites de suas terras no continente. Além disso, a expedição ainda poderia identificar pontos de interesse, perigos e potencialidades para a colonização do interior do território.

As reduções no caminho e o retorno da expedição

Em novembro de 1648, Raposo Tavares ordenou mais um ataque e a consequente destruição das reduções do Itatim. O ataque foi cessado quando Raposo Tavares soube que o Vice Reino do Prata havia organizado um grande exército para proteger as reduções e persegui-lo. Na fuga, a expedição se dividiu em duas companhias.

Depois desse contratempo, Raposo Tavares ainda percorreu mais de 10 mil quilômetros, tendo usado o curso do Rio Paraguai, do Rio Grande, do Rio Mamoré, do Rio Madeira e do Rio Amazonas. Mas a marcha não foi fácil e a maioria daqueles que a iniciaram pereceram no caminho. Apenas para efeito de comparação, das quase 2 mil pessoas que saíram de São Paulo, chegaram à foz do Amazonas, menos de 100 pessoas.

Logo depois de chegarem até a cidade de Belém, os sobreviventes retornaram à vila de São Paulo, sem qualquer riqueza que haviam sonhado quando haviam saído, três anos antes. Uma história interessante sobre o retorno dos sobreviventes é que, de acordo com relatos da época, nem mesmo os familiares teriam reconhecido Raposo Tavares quando de seu retorno a São Paulo.

O final da carreira

Com efeito, a Bandeira de Limites foi a última da carreira de Raposo Tavares. Por fim, alguns anos depois, o bandeirante faleceu em sua fazenda localizada em Quitaúna, hoje área urbana da cidade de Osasco. De acordo com a maioria dos historiadores, Raposo Tavares faleceu por volta de 1658 a 1659. Ademais, devido a falta de relatos sobre ele também se tornou impossível aos historiadores, precisar a causa de sua morte.

Isso é tudo por hoje e assim sendo, até a próxima!!

Curta nossa fanpage no Facebook!!

Veja também: 7 fatos que você deveria conhecer sobre Barrichello

Fontes: E Biografia, UOL, Brasil Escola, Aventuras na História, Portal Memória Brasileira