Série Biografia – Quem foi Tarsila do Amaral

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Bem vindos a mais um episódio de nossa série de biografias de grandes personalidades. No artigo de hoje, vamos contar um pouco da história e biografia de Tarsila do Amaral, uma grande artista e tradutora brasileira. Então, pegue seus pincéis e venha conosco em mais essa viagem pela história.

Tarsila do Amaral

Tarsila de Aguiar do Amaral nasceu em 1 de setembro de 1886, na área rural do município de Capivari, interior do estado de São Paulo, no local conhecido como Fazenda São Bernardo. Era filha de  José Estanislau do Amaral Filho e de Lídia Dias de Aguiar, família abastada e proprietária de terras. Apenas para ilustrar, seu avô paterno, José Estanislau do Amaral, chegou a ser apelidado de “O milionário” pelo genealogista Silva Leme, devido a quantidade de bens que possuía. A maior fonte de renda da família provinha das fazendas de café que possuíam, grão que naqueles dias era muito lucrativo, mas que viria a exercer enorme influência na arte de Tarsila, anos depois.

Tarsila cresceu nas fazendas de propriedade de sua família junto a seus sete irmãos. Inicialmente na própria Fazenda São Bernardo, posteriormente na Fazenda Santa Tereza do Alto, no interior do município de Santos. Nesses primeiros anos, a jovem Tarsila e seus irmãos viviam de forma confortável e tinham aulas particulares ministradas por professores contratados pelo pai.

Estudos

A primeira professora de Tarsila foi a belga Marie van Varemberg d’Egmont que ensinou-lhe a ler, escrever, bordar e falar francês. Contudo, quando chegou à idade escolar, Tarsila teve de se deslocar até São Paulo, primeiro na casa do avô e logo em um colégio de freiras do bairro de Santana. Depois de estudar algum tempo naquele estabelecimento, foi transferida para o Colégio Sion.

Notadamente, os pais de Tarsila investiram de forma consciente na educação de seus filhos. Nos últimos anos de estudo, eles notaram que a jovem Tarsila poderia receber uma educação de maior qualidade e por isso a transferiram para o Colégio Sacré-Coeur, na cidade espanhola de Barcelona.

Ela permaneceu por dois anos na escola espanhola e lá completou seus estudos. Se destacou como aluna e chegou até mesmo a ganhar um prêmio de ortografia. Essa escola marcaria profundamente a carreira posterior de Tarsila do Amaral, pois foi aí que ela teria os primeiros contatos com as artes e a pintura. Foi durante a sua estadia na Espanha que pintou aquela que é considerada a sua primeira obra de arte: o quadro “Sagrado Coração de Jesus”.

A volta ao Brasil e o casamento

Logo após encerrar seus estudos em 1906, retornou ao Brasil e casou com o médico e fazendeiro André Teixeira Pinto. Seu novo marido era também primo de sua mãe, mantinha uma postura tradicional e queria que Tarsila abandonasse suas aspirações artísticas e se dedicasse apenas às atividades domésticas. Como você já pode imaginar, esse foi um motivo de muitas tensões no casal, que acabou de separando pouco tempo depois do nascimento de Dulce, a única filha nascida desta união. De acordo com relatos da época, o casal não passou muito mais de um ano casado e logo depois da separação, Tarsila voltou a residir junto a seus pais, levando consigo a sua filha. Contudo, você deve saber que os divórcios não existiam na legislação daquela época e por isso, havia poucas alternativas legais que pudessem resolver o impasse entre André e Tarsila.

Nesse momento entrou o dinheiro e a influência da família de Tarsila que conseguiu, através de um processo judicial, a anulação do casamento. Um fato interessante sobre isso é que o pai de Tarsila, ao contrário do que se poderia pensar sobre os homens conservadores daquela época, apoiou a decisão da filha de seguir a carreira de artista e anular seu casamento.

Mesmo que tenha conseguido a anulação judicial, isso só ocorreu em 1925, devido a demora nos processos judiciais e às idas e vindas normais de tais procedimentos. Além disso, é importante esclarecer que ela já não mantinha mais tal relacionamento desde 1907, aproximadamente.

As artes

Em 1917, começou a frequentar as aulas de pintura de Pedro Alexandrino Borges dos Santos Fernandes, um dos grandes nomes do movimento naturalista. Foi durante essas aulas que conheceu a também pintora Anita Malfatti. Ainda teve lições com Georg Fischer Elpons, professor de artes alemão que se estabeleceu em São Paulo e criou a sua própria escola de artes.

Em 1920, foi para a cidade de Paris para estudar na Academia Julian e na Academia de Émile Renard. Durante o período em que ficou na cidade, se comunicava com frequência com Anita Malfatti e foi através de uma das cartas recebidas que soube que iria ocorrer um dos eventos mais revolucionários da história da arte brasileira: A Semana de Arte Moderna de 1922, Contudo, não foi possível a ela tomar parte do evento que agitou aquele ano. Ainda durante a sua estada na capital francesa, a artista teve uma de suas obras admitida no Salão Oficial dos Artistas Franceses, sem dúvida uma grande honra para qualquer artista.

Os cinco

De volta ao Brasil, Tarsila foi apresentada por Anita Malfatti, em uma confeitaria paulistana, aos principais artistas modernistas daquela época: Oswald de Andrade, Mario de Andrade e Menotti del Picchia. Foi também durante esse período que Tarsila e Oswald iniciaram um relacionamento amoroso, que resultaria em casamento, como veremos posteriormente.

Tarsila, durante seus estudos sobre a arte, teve contato com várias tendências artísticas, algumas que poderiam ser consideradas de vanguarda, contudo, ela somente aderiu ao modernismo depois desse encontro icônico de 1922. Além disso, é importante lembrar que, após esse acontecimento histórico formou-se o que convencionou-se chamar de “Grupo dos Cinco”, que passaram a discutir e fazer arte de forma nunca antes vista no Brasil.

A volta a Paris

No final de 1922, Tarsila retornou a Paris, com a intenção de voltar aos seus estudos da arte, dessa vez, com foco nos cubistas Fernand Léger e Albert Gleizes. Em janeiro de 1923, se encontrou com Oswald de Andrade e iniciou uma importante viagem pela Espanha e Portugal. Logo depois de seu retorno a Paris, conheceu o pintor Pablo Picasso e o poeta Blaise Cendrars fez questão de apresentar o casal Tarsila e Oswald aos intelectuais da sociedade de Paris. Em 1924, ela e os outros modernistas realizaram uma excursão pelo interior brasileiro, a qual foi acompanhada por Blaise Cendrars.

Devemos ressaltar que, na época, uma das cidades que podiam ser consideradas como “capitais do mundo” era Paris, a “Cidade Luz”. Por isso, muito do que acontecia no mundo tinha seu início, ou alguma influência na cidade. Então, vários dos maiores artistas daqueles dias moravam em Paris e Tarsila conheceu vários deles como:  Jean Cocteau, Jules Romains, Maurice Raynal, Jules Supervielle, Léonce Rosenberg, Frederic Brancusi entre muitos outros. Além disso, vários artistas brasileiros também se encontravam lá e Tarsila não perdeu tempo de conhecer todos eles. Mas também, quem não aproveitaria, não é verdade??

Consolidando a carreira

Em 1925, ainda na cidade de Paris, Oswald de Andrade lançou o livro de poesias “Pau-Brasil”, que contava com ilustrações de Tarsila do Amaral. No ano seguinte, a artista consegue um enorme sucesso em uma exposição de suas obras, na Galeria Percier, na cidade de Paris.

Em 1928, Tarsila pinta a sua obra mais conhecida, o “Abaporu”, nome de origem tupi-guarani que significa “homem que come gente”. Essa obra guarda enorme importância pois foi ela que originou aquele que entraria para a história como o Movimento Antropofágico, idealizado por Oswald de Andrade.

Entretanto, mesmo com seu talento e história no mundo artístico, Tarsila nunca tinha realizado uma exposição em seu próprio país. Mas isso mudou em julho de 1929, quando Tarsila expôs suas obras na cidade do Rio de Janeiro.

O casamento com Oswald de Andrade

Apesar de já manterem um relacionamento amoroso de forma muito discreta há vários anos, Tarsila e Oswald de Andrade se casaram em outubro de 1926. O casamento foi adiado pois Tarsila necessitava obter a anulação de seu primeiro casamento para poder casar-se novamente. Contudo, o casamento não durou muito tempo já que Oswald traiu Tarsila com Patrícia Rehder Galvão, mais conhecida como Pagu. De acordo com familiares de Tarsila, a mágoa foi tão grande que Oswald não recebeu nem permissão para retirar os pertences da casa que compartilhavam.

Além disso, a Crise de 1929 entrou de na sua vida uma vez que fez com que seu pai perdesse quase todos os seus bens. Naqueles dias, a Crise da Bolsa de Nova Iorque penalizou muito os cafeicultores brasileiros com a queda do preço do grão e com a consequente dificuldade por parte desses de saldar suas dívidas. Com os dois revezes, amoroso e financeiro, Tarsila decidiu se dedicar ainda mais a realização de suas obras.

Vida nova

Em 1930 iniciou uma nova atividade: se torna conservadora na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Contudo, após o golpe de 1930 e a chegada de Getúlio Vargas ao poder, perdeu seu emprego. Nesse mesmo ano conheceu o médico psiquiatra Osório César com quem iniciou um novo relacionamento amoroso.

No ano seguinte, Tarsila vende alguns quadros de sua coleção particular e realiza uma viagem à União Soviética com Osório César. Essa viagem se mostrou importante para a história de Tarsila pois a ajudaria a conhecer outras formas de pensamento social e iniciar uma nova fase artística em sua carreira. Após conhecer várias cidade do país comunista, retornou para Paris, mas dessa vez sem posses ou dinheiro. Foi nessa época também que Tarsila passou a se sensibilizar com os problemas da classe operária. Para sobreviver, trabalhou como operária de construção, pintora de paredes e portas.

Logo que conseguiu o dinheiro necessário para voltar ao Brasil passou a participar de reuniões organizadas por membros do Partido Comunista Brasileiro de então. Logo após participar de algumas reuniões, passou a ser considerada suspeita de atividades subversivas e foi presa. Passou um mês na prisão e logo após ser solta terminou o relacionamento com César.

Fase Social e anos posteriores

Logo depois de ser colocada em liberdade, a artista inicia uma fase em sua carreira, com a presença de obras com temática mais social, da qual são exemplos as telas, “Operários” e “Segunda Classe”. Na metade da década de 30 conheceu o escritor Luis Martins, que se torna o seu companheiro. O relacionamento com Martins duraria até a década de 50.

Foi colunista nos Diários Associados por muitos anos, na época a maior empresa de mídia do país. Participou da I e II Bienais de São Paulo. Ganhou uma exposição com a retrospectiva de suas obras no Museu de Arte Moderna de São Paulo em 1960. Em 1963, suas obras foram o tema de uma sala especial na Bienal de São Paulo. Além disso, teve participação especial na XXXII Bienal de Veneza. Em 1969, a doutora e curadora Aracy Amaral realizou a exposição: “Tarsila, 50 anos de pintura”.

Perdeu a sua filha Dulce em 1966, de complicações proveniente de diabetes. Tarsila do Amaral faleceu poucos anos depois, em 17 janeiro de 1973, de causas naturais.

Isso é tudo por hoje e assim sendo, até a próxima!!

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Fontes: Brasil Escola, Tarsila do Amaral, Veja São Paulo, Escritório de Arte, E Biografia, Jornal Cruzeiro do Sul