A história do Desastre de Superga

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Ainda se encontra muito recente em nossa memória a imagem do acidente aéreo envolvendo o avião que levava o time da Chapecoense para um jogo da copa sul-americana na Colômbia. Contudo, a lista de equipes esportivas que estiveram marcadas por tragédias não é pequena e uma das ocorrências mais famosas foi o Desastre de Superga que vitimou vários jogadores da equipe do Torino Futebol Clube, da Itália. Assim sendo, vamos conhecer essa história no artigo de hoje.

Grande Torino

Retornaremos a 1949 quando o time do Torino, fundado em 1906, estava em seu auge. Seu sucesso era tão grande que a equipe havia ganho o apelido de “O Grande Torino”. Apenas para exemplificar a importância do time naquela época, seus jogadores representavam a espinha dorsal da seleção italiana e até os dias de hoje é considerada por alguns, como uma das equipes de futebol mais fortes da história do esporte.

Naquele longínquo dia 1° de maio de 1949, “O Grande Torino” viajou até Portugal para participar de um jogo amistoso contra o Benfica. Naquele momento, ocorria o o campeonato italiano de futebol de 1948-1949 e sem que houvesse surpresa para ninguém, o time se encontrava em primeiro lugar, 4 pontos à frente da Inter de Milão.

A partida entre o grande Torino e o Benfica

A ideia da realização de um amistoso entre os times do Torino e do Benfica surgiu durante o jogo entre as seleções de Portugal e Itália, em 27 de fevereiro de 1949. No jogo, o resultado foi vitorioso para Itália por 4 a 1. Após o jogo, Francisco Ferreira, meio-campo e também Capitão do Benfica e de Portugal, e Valentino mazzola, capitão da seleção italiana, se encontraram na cidade de Gênova e conversaram durante muito tempo demonstrando simpatia mútua e amizade.

Essa simpatia entre os dois fez com que a comissão técnica do Torino combinasse uma partida amistosa com o Benfica em homenagem a Ferreira. Isso acabou gerando especulações de que o meio-campo português iria encerrar sua carreira. No entanto, ele próprio desmentiu os boatos em uma entrevista ao periódico “Mundo Desportivo” três dias antes da partida. O amistoso foi realizado em 3 de maio de 1949 e transcorreu com normalidade com o resultado da vitória do Benfica por 4 a 3.

A volta para casa e Desastre de Superga

Basílica de Superga

No dia seguinte ao grande jogo, exatamente às 9:40 da manhã, decolou do Aeroporto de Lisboa a aeronave Fiat G.212 prefixo e I-ELCE de propriedade da companhia Avio Linha Italiana, fretado para a viagem que a equipe esportiva faria. O comandante da aeronave era o tenente-coronel Meroni e o voo tinha uma parada programada em sua rota na cidade de Barcelona.

A primeira parte do voo transcorreu sem incidentes e o avião aterrissou às 13 horas em Barcelona. Logo após os procedimentos normais de preparação do voo para próxima parte da viagem, o avião decolou às 14:50 com destino a Turim.

Contudo, havia um problema durante a aproximação para a cidade de Turim: o tempo estava ruim na cidade com nuvens muito baixas, pancadas de chuva, fortes ventos e visibilidade horizontal de apenas 40 metros. O aviso sobre o tempo ruim chegou ao avião às 16:55.

Nessa mesma comunicação, a torre pediu um relatório de posição para melhor orientar o pouso, contudo tal relatório só foi emitido às 16:59. Nesse momento o avião se encontrava a sudeste de Turim em um dos pontos da rota de aproximação conhecido como Pino.

A Basílica de Superga no caminho

Entre o ponto reportado pelo avião e o pouso no Aeroporto de Turim existe a Basílica de Superga, a cerca de 9 km do aeroporto e 305 m acima do nível do mar. A basilica recebe esse nome por estar em cima da Colina de Superga. Contudo, a basílica não se encontrava na rota que o avião deveria estar seguindo e não seria um risco para o avião. Podendo ter ocorrido um desvio de sua rota devido aos fortes ventos que se faziam presentes naquele dia.

Às 17:03, o avião virou para esquerda e se alinhou para entrar na rampa de pouso. Entretanto, ao contrário do que a tripulação pensava, o avião não encontrou a pista e sim o aterro traseiro da Basílica de Superga. Devido à baixa visibilidade horizontal, o piloto não teve tempo para fazer nada. Como resultado do acidente, todas as 31 pessoas a bordo perderam suas vidas

A despedida ao Grande Torino

O mundo do esporte ficou abalado após o Desastre de Superga ocorrido com “O Grande Torino”. O funeral das vítimas ocorreu em 6 de maio na catedral da cidade e teve a participação de mais de 600 mil pessoas.

Delegações de outros países estavam presentes e até mesmo o secretário do estado do gabinete do primeiro-ministro Giulio Andreotti se fez presente.

Escapando do acidente

Como em todos os outros grandes desastres registrados na história, sempre são contadas histórias daqueles que não embarcaram “por pouco” e se salvaram da morte certa. No Desastre de Superga não foi diferente. O jogador Sauro Tomà, escapou de viajar para o amistoso por estar com um ferimento no menisco, o goleiro reserva Renato Gandolfi acabou não viajando pois cedeu o seu lugar para o terceiro goleiro Dino Ballarin.

O comentarista de rádio Nicolo Carozio estava confirmado no voo mas foi salvo pelo nascimento do seu filho. O jogador Tommaso Maestrelli foi convidado diretamente por Valentino Mazzola para participar do jogo mas não conseguiu renovar seu passaporte e não pôde viajar. Por fim, uma das figuras mais importantes para história do Torino, o presidente Ferruccio Novo não participou da viagem após ter recebido um conselho de um conhecido.

Investigação

Antes de mais nada, é importante lembrar que o período em que ocorreu o acidente marca uma época ainda bastante rudimentar nas viagens de avião e na investigação de acidentes aéreos. Assim sendo, as investigações que foram efetuadas não apontaram todos os detalhes que levaram a tragédia.

Contudo, é possível afirmar, de acordo com análises realizadas posteriormente, que o acidente ocorreu devido à baixa visibilidade e ao mau tempo que se abatia sobre Turim naquela tarde. Assim sendo, essas condições fizeram com que a tribulação não percebesse que se dirigia para um obstáculo no terreno.

Consequências

As marcas do Desastre de Superga ficaram impressas de forma muito profunda naquela geração de italianos. No ano seguinte, a seleção italiana decidiu ir a Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil, a bordo do navio Sises. O interessante sobre essa viagem é que a sua saída ocorreu de Nápoles em 4 de junho e foi abençoada pelo próprio Papa Pio XII.

O presidente do Torino na época do acidente, Ferruccio Novo, era o técnico da seleção naquela ocasião. Além disso, a viagem por mar foi uma escolha dos jogadores e apoiada largamente pela opinião pública italiana. Existe ainda a história de que as bolas de futebol trazidas pela seleção para treinar no navio foram todas perdidas no mar durante a viagem.

Isso é tudo por hoje e assim sendo, até a próxima!!

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Fontes (pesquisa e/ou material audiovisual): Livro “A grande história dos mundiais 1950, 1954 e 1958”, de Max Gehringer, Avio News, Globo Esporte, Gazeta Esportiva, Terra, Mais Futebol, Deutche Welle