A tradição do devorador de pecados

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A morte ainda é um tabu para muitas culturas humanas e mesmo que já tenhamos evoluído muito na compreensão da vida, ainda temos muito medo da morte. Além disso, todas as sociedades colecionam diversos rituais que são realizados no leito de morte ou logo após o óbito de alguém. Uma das mais peculiares era a do devorador de pecados e se deu por vários séculos, em vários locais do mundo. Então, vamos juntos conhecer uma tradição antiga realizada logo depois que alguém morria: o devorador de pecados.

Devorador de Pecados

O devorador de pecados nada mais era do que uma pessoa que se encarregava de beber e comer “os pecados” de uma pessoa que havia acabado de morrer. Essa tradição servia para absolver a alma e permitir que o falecido pudesse descansar em paz.

O ritual nasceu na Europa por volta do século XVI e pouco tempo depois havia se espalhado por vários locais do continente. Em algumas vilas havia os comedores de pecado oficiais sendo que para todos os óbitos que aconteciam eram chamadas sempre as mesmas pessoas para tomar parte do ritual. Normalmente, os devoradores de pecados eram pessoas pobres e segundo a tradição deveriam fazer parte deste ritual de forma voluntária e consciente.

Com a conquista dos novos continentes e a colonização da América, África e Oceania por colonos europeus, algumas comunidades desses novos lugares também realizaram esse ritual. Porém, nas colônias se registrou que o ritual ocorria de forma muito mais restrita do que era realizado no velho mundo.

 

Crédito: Wellcome Library, London / CC BY 4.0

O pagamento pelo serviço prestado geralmente era muito pequeno, normalmente um presente ou uma pequena quantia em dinheiro. Vários deles acabavam recebendo apenas a refeição com a qual se alimentavam já que a maioria das famílias de camponeses da idade média também não possuía boas condições financeiras.

Em alguns lugares do continente passou a ser costumeiro que um familiar do recém falecido acompanhasse o devorador de pecados até a sua casa para certificar-se de quê o contratado não fosse vomitar a refeição recém consumida. Isso seria necessário pois, se assim procedesse, os pecados retornariam para a alma daquele que havia morrido.

Povo Asteca

Uma referência a tal prática, ou pelo menos a uma atividade parecida a essa ocorria na cultura asteca. A divindade que tomava parte dessa tradição era Tlazolteot, a deusa da terra, maternidade e fertilidade. De acordo com a tradição, quando a vida de um asteca chegava ao fim ele tinha a possibilidade de confessar os seus pecados a essa divindade. Logo depois da confissão, ela limparia a sua alma comendo aquilo que a sujava.

Alguns especialistas acreditam que a tradição do devorador de pecados se originou da distância que existia entre os sacerdotes da religião católica e os vários vilarejos espalhados pelo continente. Como não existiam sacerdotes nas proximidades que pudessem ministrar o sacramento da extrema unção, a contratação de devoradores de pecados foi vista como uma alternativa para que os falecidos pudessem ter o perdão por seus crimes na Terra.

Pelo que foi dito, essa tradição não era bem vista pela Igreja Católica e muitas vezes era condenada pelos sacerdotes. Ademais, as pessoas da sociedade da época também não tinham muita admiração pelos devoradores de pecados. Isso ocorria pois acreditava-se que os pecados passavam para sua alma e, por isso, os devoradores de pecados se tornavam cada vez mais “pecadores”.

O fim da tradição

A tradição dos devoradores de pecados deixou desistir somente no início do século XX. Em 1906 ocorreu o falecimento de Richard Munslow, considerado como o último devorador de pecados que se tem notícia.

Para quem gosta de assistir filmes com temáticas históricas de diversos temas existe o filme “O devorador de pecados” de 2003. A obra foi dirigida por Brian Helgeland e conta com o ator Heath Ledger no seu elenco.

Isso é tudo por hoje e assim sendo, até a próxima!!

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Fontes (pesquisa e/ou material audiovisual): BBC News, Enciclopédia Britannica, Mundo Tentacular, Mega Curioso, Secretaria de Educação do Estado do Paraná, Atlas Obscura