Os crimes da Família Bender

 

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Parece enredo de filme de terror: algumas pessoas perdidas em um local ermo ou em uma imensidão gigantesca de floresta ou campo acaba abordado por uma família de pessoas malucas ou assassinos que os ataca e a partir de então se inicia um enredo de sobrevivência. O artigo de hoje vai contar uma história real de algo que parece ser o enredo de um filme desse tipo: Os crimes da Família Bender. Vamos conhecê-los??

Família Bender

A família Bender ou também como ficou conhecida: os Bloody Benders (Benders sangrentos, em tradução livre), foi um grupo de quatro pessoas formada pelo pai, John Bender, a mãe, Elvira Bender, e os irmãos, John Bender Júnior e Kate Bender. Esse grupo de sádicos aterrorizou o condado de Labette no estado norte americano do Kansas entre os anos de 1869 a 1873.

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A controvérsia sobre o parentesco existente entre as pessoas citadas já se inicia na existência ou não de parentesco de irmão e irmã entre John e Kate, algumas testemunhas e residentes próximos da casa da família afirmam que na verdade os dois eram marido e mulher e não irmãos como o senso comum costuma afirmar. Como não há nenhum documento relativo ao casamento ou mesmo a origem de tais pessoas, aqueles que acreditam que se tratava de um casal afirma que muito provavelmente se tratava de uma espécie de união estável que existia entre os dois.

A família Bender se mudou para o local onde praticaria seus crimes em outubro de 1870 junto com outras quatro famílias que foram assentadas no local após a transferência dos índios Osage para o futuro estado de Oklahoma. A família se assentou em uma fazenda com 65 hectares nas proximidades a Great Osage Trail, que na época era a única estrada aberta que possibilitava as pessoas viajarem mais para o oeste do território dos Estados Unidos. Os primeiros a chegar foram os homens da família que se ocuparam de construir uma cabana, um celeiro com curral e um poço para a captação de água. Elvira Bender e Kate Bender chegaram no outono de 1871 e a cabana da família foi dividida em duas salas por uma lona que normalmente era utilizada em carroças. A parte da frente da cabana foi convertida em uma espécie de armazém de secos e molhados. A sessão frontal da cabana também possuía uma cozinha e uma mesa de jantar, onde os viajantes costumavam parar para se alimentar ou até mesmo com o intuito de passar a noite. Atrás da cabana ainda existia uma grande horta e um pomar de maçãs.

Apesar de não haver registro sobre a origem da família, o sotaque dos seus membros e o fato de que John e Elvira não sabiam falar direito a língua inglesa levaram as autoridades a concluir que a família teria vindo da Alemanha. O fato de que Kate Bender e John Bender Júnior, que na época possuíam 23 e 25 anos respectivamente, tinham muito pouco sotaque levou esses mesmos investigadores a concluir que a família já se encontrava na América do norte a alguns anos, talvez até mesmo antes dos mais jovens nascerem.

Kate Bender

Outras fontes acreditam que John Bender teria nascido na Alemanha ou Holanda com o nome de John Flicknger, Elvira Bender, seria norte-americana e teria nascido no estado de nova York com o nome de Almira Hill Mark, teria se casado algumas vezes e era suspeita de ter matado vários dos seus maridos. Algumas pessoas acreditam inclusive que ela teria tido 12 filhos com seu primeiro marido.

Os crimes

Muitas pessoas acreditam inclusive que os bandidos já haviam realizado crimes em outros locais e que já eram fugitivos da lei, mas nada disso foi provado. O que se sabe sobre os crimes se inicia em 1871 com um homem que foi encontrado com seu cranio esmagado e a garganta cortada no local chamado Drum Creek, a história apenas cita esse homem como o senhor Jones. Em fevereiro de 1872, mais dois corpos de homens foram encontrados com os mesmos ferimentos do senhor Jones.

A partir disso, a área começou a ser conhecida pelos seus desaparecimentos misteriosos e os relatos que passaram de boca em boca foram se tornando tão comuns que os viajantes começaram a evitar a trilha. A área já tinha uma má fama devido a ser frequentada por ladrões de cavalos e vários deles foram sendo presos pelas autoridades sob a suspeita de terem participado dos assassinatos e desaparecimentos, mas logo que se provava que não havia nenhuma relação de tais pessoas com os crimes eles eram liberados. Inclusive, muitos inocentes foram expulsos do condado pelos comitês de vigilância que foram criados para vigiar a área pela suspeita de que eles possuíam alguma espécie de envolvimento com os crimes.

No mesmo ano, foram registrados mais três assassinatos que foram creditados aos membros da  Família Bender: Henry Mackenzie, Ben Brown e W. F. McCrotty.

Tudo isso que foi dito na época fez com que muitas pessoas acreditassem que os crimes da família Bender não foram contabilizados de forma correta e que na verdade haveriam muito mais vítimas a serem contabilizados no período em que eles residiram no condado de Labette.

Finalmente os crimes são solucionados

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O início do fim dos crimes da família Bender no condado de Labette ocorreu no inverno de 1872 quando George Hilton Longcore a sua filha, a pequena Mary Ann se deslocaram da cidade de Independence, no estado do Kansas com o intuito de se estabelecerem no estado de Iowa. Apesar de pai e filha passarem pela região “maldita” do condado de Labette, o mistério se iniciou realmente quando eles não chegaram ao seu destino ou mesmo foram vistos novamente.

Esse desaparecimento chamou a atenção de um dos seus vizinhos, o doutor William Henry York que decidiu seguir o mesmo caminho que George e Mary Ann teriam percorrido com o objetivo de interrogar os colonos ao longo da trilha e tentar encontrar seus amigos.

Quando o doutor York chegou até a instalação militar de Fort Scott chegou à conclusão de que havia perdido a trilha e resolveu voltar a sua cidade. Em seu caminho de volta, ele também desapareceu de forma misteriosa. Um ponto-chave nessa história é que o doutor York possuía dois irmãos importantes na estrutura social da época: O coronel York, membro do exército dos Estados Unidos que servia em Fort Scott e Alexander York, uma figura política muito importante no estado do Kansas.

Em 28 de março de 1873, o coronel York chegou a hospedaria da família Bender acompanhado do senhor Johnson fazendo perguntas sobre seu irmão e perguntando se a família havia visto ou sabia do seu paradeiro. A Família Bender admitiu que o doutor York havia passado pela sua hospedaria e sugeriu a possibilidade de que talvez ele pudesse ter tido problemas com os índios que viviam nas proximidades.

Descobrindo a verdade

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A relação do Coronel York não se encerrou com a primeiro contato que teve com a Família Bender. Alguns dias depois ele foi avisado por uma mulher que alegava ter sido ameaçada pela senhora Elvira Bender com uma faca e tendo isso em mente resolveu ir com alguns homens armados até a estalagem com a intenção de averiguar a acusação. Elvira, mais uma vez, como já havia feito várias vezes antes, alegou não entender direito a língua inglesa, e foram seus filhos que negaram a alegação da mulher sobre a ameaça. Quando o coronel repetiu a alegação da mulher, Elvira ficou furiosa, disse que a mulher era uma bruxa e que havia amaldiçoado os seus pertences, isso revelava que algo de errado havia com a família já que apesar de dizer repetidamente que não entende a língua inglesa Elvira não só era capaz de entender lá como também de falar de forma clara.

Antes que o coronel York partisse da casa da Família Bender, a jovem Kate Bender pediu para que ele voltasse sozinho até a casa na noite de sexta-feira seguinte, ocasião em que ela usaria suas capacidade de clarividência para ajuda-lo a encontrar o seu irmão.

Outras pistas e suspeitas que as comunidades vizinhas tinham contra os indígenas que residiam na região fizeram com que o Coronel York e seus homens, além dos comitês de vigilância locais centrassem esforços em obter um mandado de busca para a reserva indígena local. Isso deu tempo suficiente para que a Família Bender fugisse da cidade sem que ninguém percebesse.

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Parte das trilhas existentes na região

Alguns dias depois, Billy Tole estava conduzindo algumas cabeças de gado nas proximidades da propriedade da Família Bender quando percebeu que a cabana onde residiam estava abandonada e que os animais da fazenda se encontravam sem comida. Billy Tole se dirigiu imediatamente até o administrador municipal e relatou o que havia visto, mas como na região havia um mau tempo a vários dias, as autoridades demoraram alguns dias para investigar o local, dando mais tempo para que os assassinos pudessem de distanciar.

Quando um grupo de centenas de pessoas chegou para investigar, descobriram que abaixo da cabana havia um porão com manchas de sangue no chão e todo local possuía um mau cheiro insuportável. O local foi cavado e nenhum corpo foi descoberto fazendo com que a conclusão óbvia era de que o cheiro ruim e provinha do sangue que havia no chão.

Os corpos no pomar

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As investigações levaram ao grupo até o pomar da fazenda, lá foi encontrado o corpo do doutor York e de outras oito pessoas, 7 corpos estavam enterrados no pomar e um dentro de um poço. Os jornais da época informaram que a multidão ficou tão enfurecida ao encontrar as vítimas da Família Bender e pela frustração de não encontrar os assassinos que atacaram um dos vizinhos da família de sobrenome Brockmann e o enforcaram até quase a morte na intenção de descobrir alguma informação sobre os fugitivos.

Apesar da dificuldade de espalhar as notícias naquela época, o fato chegou a locais muito distantes e jornalistas de todo o país vieram para visitar o lugar, curiosos e caçadores de souvenires destruíram a cabana levando inclusive os tijolos que cobriam o porão e as pedras que revestiam o poço.

A fuga

Os detetives da região foram até o local para tentar descobrir para onde a Família Bender havia fugido. Foram seguidos os rastros das rodas da carroça da família que foi abandonada fora dos limites da cidade de Thayer, distante apenas 19 km ao longe da cabana.

A investigação em seguida levou a informação de que todos compraram passagens para o trem com o destino na cidade de Humboldt, estado do Kansas. De lá eles pegaram o trem para o sul e possivelmente viajaram para uma colônia de foras da lei que se pensava estar na região da fronteira entre os estados do Texas e do Novo México.

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A partir de então, várias histórias começaram a ser contadas sobre a perseguição que ocorria à família. Algumas pessoas começaram a afirmar que um grupo de vigilantes teria conseguido capturá-los e que haviam atirado em todos, exceto Kate Bender, que foi queimada viva. Outra história que passou a ser contada é que os Benders foram capturados, mortos e seus corpos foram jogados no Rio Verdigris. No entanto, apesar de que duas recompensas foram oferecidas pela prisão da Família Bender em um valor total de 3 mil dólares na época (62.742 em valores atuais), nunca foi requisitada por nenhum daqueles que alegavam que haviam matado a família.

Avistamentos posteriores

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A história da fuga da Família Bender se espalhou por toda a América do Norte e a busca continuou pelos próximos 50 anos. Muitas pessoas foram acusadas de serem membros da família e corriam inclusive o risco de serem mortas por isso. Um dos fatos interessantes sobre isso é que várias vezes, quando eram avistadas duas mulheres viajando juntas, estas eram acusadas de serem Kate e Elvira Bender.

Em outras situações, homens de idade avançada foram identificados como sendo John Bender. Em 1884 um homem idoso que corresponda com a sua descrição foi preso no estado de Montana por ter assassinado um homem nas proximidades da cidade de Salmon, Idaho. Não se pôde provar que se tratava de John, apesar de muitos passarem a acreditar que era ele sim.

Posteriormente

Doze homens que eram considerados com uma má reputação em geral foram presos tanto pela receptação dos bens roubados das vítimas da Família Bender tanto por esconder informações das autoridades e até mesmo por forjar cartas em nome de algumas vítimas informando aos familiares de que eles haviam chegado em segurança aos seus destinos.

O mesmo homem que havia sido parcialmente enforcado, o senhor Brockman, foi preso nessa ocasião pela receptação dos itens roubados das vítimas e acabou provando ser um fora da lei quando, 23 anos depois dos crimes da Família Bender, foi preso novamente devido ao assassinato da sua própria filha, que a época tinha 18 anos de idade.

Em outra ocasião, duas mulheres foram presas na cidade de Detroit, estado de Michigan e alegaram mutuamente serem as mulheres da Família Bender, mas depois de um julgamento concluiu-se que se tratavam de duas criminosas e mentirosas mas não havia provas de que elas eram pertencentes a família Bender.

A volta à vida de crimes e a vida depois da fuga

Muitas pessoas na época acreditavam que a família Bender, apesar de relatos contrários, nunca havia sido pega e com novas identidades teria iniciado uma nova vida de crimes.

Relatos de sua existência em outros lugares da América do norte foram registrados, nenhum deles pôde ser confirmado e o paradeiro final da família fica sendo um mistério até os dias de hoje.

Até a próxima!!

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O assustador caso do triângulo de Bennington

Fontes: Megacurioso, UOL, Fatos Desconhecidos, Tri Curioso, Murderpedia, Rebel Circus, Ranker, Boredom Therapy