A história da mulheres na Guerra do Paraguai

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A guerra do Paraguai foi um dos conflitos mais sangrentos do século XIX e arrastou quatro nações para batalhas que deixaram milhares de mortos e um saldo catastrófico para a região. A maioria das pessoas já ouviu falar das batalhas do Riachuelo, Tuyuty e Lomas Valentinas entre outras e da participação do Duque de Caxias ou de Solano López no conflito, mas poucas pessoas se dão conta da participação de outros personagens no conflito.

A história dos voluntários da pátria, que não eram tão voluntários assim; os índios guaranis e outros grupos indígenas da região; os jovens paraguaios que foram obrigados a lutar e as mulheres que colaboraram durante o conflito não é de conhecimento tão aprofundado de nossa população em geral. Então, no artigo de hoje, vamos conhecer um pouco mais sobre elas, as mulheres da Guerra do Paraguai.

Uma história de honra

Na época, o imperador do Brasil era D. Pedro II, que no início de 1865, criou o serviço dos Voluntários da Pátria. Homens e mulheres se alistaram, mas mulheres não eram enviadas para a luta, em geral, elas eram encarregadas de serviços de apoio, preparando os seus filhos para o serviço militar, encarregando-se de bordar bandeiras nacionais que eram levadas para o campo de batalha e como enfermeiras nos assim chamados: “hospitais de sangue”. Costureiras também participaram do esforço de guerra, ao costurarem os uniformes dos soldados que iam para a frente de batalha.

Na época não era incomum que filhos e mulheres dos soldados acompanhassem as tropas. Além disso, andarilhas, comerciantes, prostitutas eram constantemente vistas acompanhando as tropas de ambos os lados.

Um episódio que merece menção fala sobre 70 mulheres de oficiais que tomaram parte da batalha pelo Forte Coimbra, em 1864. Durante a batalha elas fabricaram 3500 munições de forma artesanal para serem usadas.

Antônia Alves Feitosa

Jovita e Ana Nery

Mesmo com a participação de muitas mulheres em diversas atividades, pouquíssimas delas deixaram o seu nome para a história, sendo regra geral o anonimato. Umas das poucas exceções foi Antônia Alves Feitosa, mais conhecida como Jovita, uma cearense que se disfarçou de homem aos 17 anos e tentou lutar na guerra, mas ao final foi impedida. No campo de batalha, as coisas eram diferentes, pois não são poucos os relatos de mulheres que no calor do conflito pegaram em armas e combateram ombro a ombro com os homens.

Ana Nery

Outra mulher que se destacou na história do conflito foi a baiana Ana Justina Ferreira Nery. Ela, ao saber que três filhos e um irmão seriam enviados ao confronto, seguiu com eles ao campo de batalha e se alistou como enfermeira. Permaneceu por lá até o final do conflito e por fim foi agraciada com medalha pelos serviços prestados.

As mulheres paraguaias

As mulheres do Paraguai tiveram maior atividade no conflito, pois inclusive foram chamadas a enfrentar tropas de soldados brasileiros. Por fim, após o final da guerra, foram as responsáveis pela reconstrução do Paraguai, já que a maior parte dos homens adultos haviam sucumbido.

Ademais, ao final do conflito, as viúvas brasileiras sofreram por mais de duas décadas para receber as pensões as quais tinham direito. Apenas após a Proclamação da República que foi dado o direito irrestrito aos familiares dos mortos de receberem o soldo referente à patente ocupada pelo falecido.

Isto é tudo por hoje e assim sendo, até a próxima!!

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Fontes: Aventuras na História, G1, Correio da Manhã, Tok de História