Naufrágios de navios brasileiros na Segunda Guerra Mundial

oglobo

Durante a Segunda Guerra Mundial, todos os que circulavam pelos mares sofriam a ameaça dos navios de superfície e submarinos do Eixo formado pela Alemanha, Itália e Japão, poderiam ser afundados se fossem de nações amigas dos aliados ou se levassem materiais para tais países. O Brasil acabou sofrendo com isso e vários navios foram afundados com grande perda de vidas. É sobre esses naufrágios de navios brasileiros ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial que falaremos a partir de agora.

Naufrágios

O Brasil rompeu relações diplomáticas com os países do eixo em 28 de janeiro de 1942, esse foi o estopim para a perseguição que foi empreendida aos navios de bandeira brasileira. Somente um ataque aéreo a um navio brasileiro foi realizado antes disso contra o navio Taubaté, em março de 1941.

Depois disso, mais vários navios foram atacados, nos oceanos Índico e Atlântico e no Mar Mediterrâneo e apesar de não haver consenso sobre o total de navios atacados ou mesmo o número total de mortos, é citado pela maioria dos historiadores que foram os repetidos ataques, o governo do Brasil acabou declarando guerra ao eixo no mês de agosto de 1942, aumentando a presença de patrulhas na nossa costa e participando de operações aéreas e terrestres no teatro de operações europeu.

Lista de naufrágios

Os principais ataques que sofreram os navios brasileiros foram:

Como citado, é provável que o primeiro navio foi o Taubaté, atacado por aviões alemães no Mar Mediterrâneo, quando estava nas proximidades da costa do Egito, o saldo do ataque é um morto e treze feridos.

Em fevereiro de 1942, a marinha alemã atacou o navio Buarque no qual morreu um tripulante e o navio Olinda, no qual não existiram vítimas. No mesmo mês ocorreu ainda o desaparecimento do Cabedelo, com 54 tripulantes, entretanto não se sabe realmente o que ocorreu com certeza, apenas que ele zarpou dos Estados Unidos em 14 de fevereiro e estima-se que se encontrava em algum ponto no Mar do Caribe quando desapareceu.

Em seguida as marinhas alemã e italiana intensificaram o ritmo dos ataques, antes da metade do ano de 1942 perderam-se ainda os navios Arabutã, com um tripulante morto, o Parnaíba com a perda de 7 tripulantes, o Paracuri, do qual não se tem dados sobre os mortos, o Pedrinhas, que não teve tripulantes falecidos, o Gonçalves Dias com a morte de 6 tripulantes, o Alegrete que felizmente não teve vítimas, o Tamandaré que levou consigo 6 tripulantes, o Barbacena com 4 mortos e o Piave, que teve um tripulante perdido.

Submarino Barbarigo

Submarino Barbarigo

O Comandante Lira também foi vítima dos submarinos do eixo, já no Atlântico Sul, foi atacado pelo submarino italiano Barbarigo e apesar de ter tido uma vítima, não afundou, foi abandonado pela sua tripulação, mas como havia emitido pedidos de ajuda, foi alcançado por navios da marinha americana que apagaram o incêndio em seu interior e em seguida rebocaram o navio até a costa brasileira. O Brasil ainda perdeu mais um navio com grande número de vidas, foi o Cairu, nele faleceram 53 marinheiros.

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Harro Schacht

O U-507

No mês de agosto o submarino alemão U 507, comandado pelo capitão Harro Schacht, começou a caçar os navios brasileiros em nossa própria costa, o primeiro deles foi o Baependi, que levou consigo a vida de 270 pessoas, em seguida perdeu-se o Araraquara, com 131 de seus ocupantes, sete horas depois, o submarino atacou ainda o Aníbal Benévolo do qual morreram 150 pessoas.

Ainda no dia 17 ocorreu uma dupla tragédia, o Itagiba, que foi atacado nas proximidades da cidade de Salvador estava sendo socorrido pelo navio Arará, um cargueiro, quando o U 507 atacou o navio de socorro também, como saldo tivemos, 36 mortos do Itagiba e 20 do Arará.

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Baependi

A ultima embarcação brasileira destruída foi a barcaça Jacira, foi parada e em seguida sua tripulação foi obrigada a abandoná-la em um bote enquanto a tripulação do submarino colocava as cargas para explodi-la.

A população pede a entrada na guerra 

Depois de tantas mortes nos naufrágios registrados, o povo saiu as ruas para demonstrar indignação e pedir que o governo  declarasse guerra à Alemanha. Nesse sentido a ideia principal era de vingar o Brasil e os mortos nos ultrajantes ataques que ocorreram naqueles dias. Finalmente, no dia 22 de agosto, Vargas declarava guerra a Alemanha e a Itália.

Após a declaração de guerra foram perdidos os navios Osório com 5 mortos e o Lajes com 3 mortos, ambos perdidos através de torpedeamentos realizados pelo submarino alemão U 514, nas proximidades de nosso litoral, depois disso foram mortos 16 ocupantes do navio Antonico, torpedeado pelo U 516, nas proximidades da Guiana Francesa.

Os naufrágios continuam

Em novembro tivemos o afundamento do Porto Alegre no Oceano Índico, proximidades da costa da África do Sul, em tal ataque morreu um ocupante. Mais cinco mortos seriam contabilizados no afundamento do Apalóide, nas Antilhas, no final do mês.

Em fevereiro de 1943, o U 518 afundou o navio Brasilóide, felizmente não ocorreram mortes em tal ataque. Mas a sorte dos navios brasileiros não duraria muito. Ainda no início de março o submarino italiano Barbarigo retornou ao litoral do Brasil e afundou o Afonso Pena, causando a morte de 125 pessoas.

Em julho, o navio Tutoia foi atacado pelo U-513, no litoral de São Paulo, o que causou a morte de 7 pessoas. Nesse meio tempo o Pelotasloide foi a pique após um ataque realizado pelo U-590. Mesmo assim, nesse ponto nota-se que a vida dos comandantes dos U Boats alemães não estava mais tão fácil como antigamente. A história registra que tanto o U-513 como o U-590 não chegaram a sair do litoral do Brasil, pois ambos foram afundados por cargas de profundidade provenientes de aviões do serviço de patrulhamento de nossa costa. De maneira idêntica, Harro Schacht já havia sido atacado e afundou juntamente com o seu U-517 no mês de janeiro de 1943.

Ainda no mês de julho o U 199 afunda um pequeno barco de pesca matando todos os seus 10 tripulantes. Entretanto, esse submarino estava com seus dias contados e acabou sendo afundado poucos dias depois, sendo que foi o primeiro afundado por uma tripulação brasileira. Mas os ataques não paravam, ainda no mês de julho de 1943, foi perdido o Bagé, atacado pelo U 185, levando consigo 28 vidas.

Os últimos naufrágios

Em setembro foi atacado o Itapagé, com 22 pessoas mortas e apenas um dia depois é atacado o Cisne Branco, com mais 4 mortes. No mês de outubro foi perdido o Campos, no qual morreram 12 de seus ocupantes.

Surpreendentemente, o único navio militar perdido durante toda a guerra foi o Vital de Oliveira, no ano de 1944, nesse ataque morreram 99 pessoas.

Isto é tudo por hoje e assim sendo, até a próxima!!

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Fontes: Naufrágios do Brasil, Brasil mergulho, Itagiba 1942, UOL