O Acidente do Voo Varig 254

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No artigo de hoje trazemos uma postagem para quem gosta de aviação e sua história. Acredito que todos sabem que um dos setores que mais aprendem com seus erros e falhas é o das ciências aeronáuticas e assim, não se pode conhecer a história do meio aéreo sem que se conheçam os acidentes que fizeram parte dela. Assim sendo, a extinta companhia gaúcha Varig, em seu voo 254 é o tema de hoje e vamos ver como um erro de localização aliado a subsequentes erros humanos fizeram um dos acidentes mais emblemáticos da história da companhia.

O Voo Varig 254

Era o dia 3 de setembro de 1989, um domingo, e naquele dia, o voo Varig 254 estava sendo operado por um Boeing 737 de prefixo PP-VMK. A aeronave saiu do aeroporto internacional de Guarulhos às 9 horas e 43 minutos para fazer a rota São Paulo – Belém com escalas em Uberaba, Uberlândia, Goiânia, Brasília, Imperatriz e Marabá.

Boeing 737, como o do voo Varig 254

Na cidade de Brasília, ocorreu a troca de tripulação, procedimento de praxe em voos da espécie do Varig 254. Na escala da cidade de Marabá, o avião foi reabastecido e preparado para a ultima etapa do longo voo. Essa última perna da jornada, de Marabá ate Belém, seria um trecho de apenas 50 minutos, entretanto, como de costume, a aeronave foi abastecida com muito mais que o dobro do combustível que seria necessário.

Nessa etapa do voo, com decolagem ocorrida quase as 6 horas da tarde, 54 pessoas estavam a bordo, sendo 48 passageiros e 6 tripulantes. O 737 era comandado pelo piloto Cesar Garcez e possuía como seu co-piloto o jovem Nilson Zilli.

Perdido em uma área sem cobertura de radar, o PP-VMK sobrevoou a imensidão da Floresta Amazônica por cerca de três horas e após perder seus motores devido a uma pane seca, desceu diretamente ao solo, na área do município de São Felix do Xingu, matando 12 de seus ocupantes.

A causa

Após o inicio das investigações, verificou-se que a Varig havia fornecido um plano de voo aos pilotos no qual o rumo a ser tomado na ultima perna era 027.0 graus. O plano foi interpretado como sendo 270 graus, levando o avião em direção totalmente diferente dos 27 graus, que seria o correto no caso.

O quarto digito era útil nos aviões de modelo DC-10, principalmente em rotas longas, mas no Boeing 737 era inútil. Além disso, os 737 nem possuíam espaço em seus instrumentos de voo para a colocação do quarto digito.

Em situações semelhantes, vários outros pilotos também cometeram o mesmo erro. Contudo, o que selou o destino dos ocupantes do PP-VMK foi a relutância do piloto em admitir que estava errado.

Um agravante no acidente foi que quase todas as poltronas se desprenderam na queda e na desaceleração que se seguiu, indo para frente e esmagando os passageiros que lá estavam. Outro complicador foi a demora em socorrer os passageiros que estavam no avião acidentado já que, apenas no dia 5 de setembro, depois que quatro passageiros voluntários encontraram uma fazenda após caminhar por aproximadamente 40 quilômetros, o restante dos sobreviventes foi encontrado e se iniciaram os trabalhos de socorro.

Consequências

Nos períodos que se seguiram, muitas especulações sobre as causas e o estado físico e psíquico dos pilotos foram levantadas pela população e pela mídia. Contudo, as causas foram apontadas como erro humano, erro da companhia em apresentar o plano de voo igual para todos os voos e falha das autoridades em não realizar o monitoramento das aeronaves que sobrevoavam a área.

Hoje a área onde ocorreu o acidente e monitorada por serviço de radar da Força Aérea Brasileira. Além disso, a VARIG teve que suprimir o quarto digito dos planos de voo dos aviões que não o utilizassem. Posteriormente passou a utilizar o sistema Ômega de navegação em seus aviões. Ademais, por parte das autoridades aeronáuticas houve também a recomendação de aumento da resistência das poltronas. Assim sendo, hoje elas suportam o dobro das forças que suportavam na época.

O piloto perdeu sua licença e nem ele ou o co-piloto nunca mais puderam voar. Ademais, foram condenados por homicídio culposo. Por certo, a empresa VARIG deixou de existir de forma ruidosa após a sua falência no início da primeira década deste século. Depois que mais de 30 anos se passaram, os restos do avião permanecem no local, atraindo aventureiros curiosos e pessoas em busca de suas partes.

Isto é tudo por hoje e assim sendo, até a próxima!!

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Fontes: Folha, Cavok, Aerocast, UOL, Folha de São Paulo, Revista Veja