O Caso Taman Shud – O Homem de Somerton – Pt 2

Somerton

No primeiro artigo deste tema falamos o início deste que é um dos maiores mistérios que envolvem crimes não solucionados na história do mundo, veja aqui: O Mistério do Caso Taman Shud – o Homem de Somerton. Fique agora com o segunda parte da história: O Mistério do Caso Taman Shud – o Homem de Somerton.

A mala marrom fala sobre o caso

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Em 14 de janeiro de 1949, quase um mês e meio sem maiores pistas, alguns funcionários da Estação Ferroviária de Adelaide descobriram a existência de uma mala marrom sem etiquetas que estava no guarda-volumes do local desde a manhã do dia 30 de novembro de 1948.

Mais uma vez, as roupas e objetos encontrados não possuíam etiquetas, apenas um nome: T Keane. Os investigadores chegaram à conclusão de que provavelmente a etiqueta teria sido deixada de propósito sabendo que não permitiria a identificação do proprietário daquela mala.

Um dos detalhes interessantes sobre as roupas encontradas na mala era que havia um casaco que apresentava um desenho bordado e uma nesga que só poderiam serem feitos nos Estados Unidos. A nesga serve para aumentar a largura existente em uma peça de roupas e só pode ser incluída após o comprador experimentar a roupa para que se ajuste o seu tamanho.

Esse detalhe da roupa levou a polícia a crer que se tratasse de um cidadão norte-americano, alguém que tivesse viajado para os Estados Unidos ou mesmo tivesse tido contato com um norte-americano para poder comprar tal peça de roupa já que ela não teria sido importada para a Austrália.

Ainda na investigação, encontrou-se um marinheiro local chamado Tom Keane e como ele havia desaparecido naqueles dias, alguns de seus colegas de navio foram chamados até o necrotério na tentativa de identificar o cadáver. Todos negaram que o Homem de Somerton se tratasse de seu colega desaparecido.

As dúvidas crescem

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Com a passagem do tempo e nenhuma resposta conclusiva sobre quem seria o homem ou o que fazia naquela praia fez com que mais especulações fossem surgindo.

O legista Thomas Erskine Cleland manteve o inquérito sobre a morte do Homem de Somerton aberto até 17 de junho de 1949. E entre as evidências encontradas no corpo e que confundiram ainda mais a polícia está o fato de que os sapatos do homem estavam consideravelmente limpos e pelo que parecia haviam sido engraxados recentemente. Isso contrastava com as afirmações de que ele seria um homem perdido ou que se encontrava vagando, bêbado ou envenenado pelo local.

Outra evidência considerada foram os testemunhos das pessoas que haviam visto um homem nas proximidades de onde foi encontrado o corpo. Como nenhuma dessas pessoas viu o rosto do homem para identificá-lo positivamente com o cadáver encontrado, isso poderia evidenciar que se tratavam de pessoas diferentes e que o Homem de Somerton havia sido morto em outro local e descartado na praia durante a madrugada.

Especulações sobre o envenenamento do homem também começaram a surgir e como não havia nenhuma evidência de veneno encontrada, isso poderia evidenciar que se tratava de uma droga rara e que evidenciava para algo muito maior do que um envenenamento simples ou suicídio.

O Mistério do Rubaiyat de Omar Kayyam

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O que a polícia australiana não havia descoberto na primeira análise das roupas do Homem de Somerton é que havia na verdade uma pista muito importante que havia passado em branco. Em um compartimento secreto do bolso de uma das calças do homem havia um papel impresso com as palavras “taman shud”. Que foi identificada como a última expressão existente na última página da coleção de poemas Rubaiyat, de Omar Khayyam.

O bizarro da existência da palavra taman shud é que em persa ela significaria “o fim” ou “o encerramento” ou ainda poderia ser traduzida como “acabou”.

O trabalho da polícia australiana foi maiúsculo ao tentar encontrar uma cópia do livro que apresentasse a última parte da folha final do livro rasgada. Uma foto do livro e do local de onde foi retirada a folha foi divulgada para os departamentos de polícia e ao público em geral.

A partir daqui essa parte do caso se torna mais estranho ainda, uma vez que um homem que se encontrava com seu carro estacionado em Glenalgh na noite de 30 de novembro de 1948 encontrou um livro Rubaiyat jogado no assento traseiro do seu automóvel. Nas costas do livro de onde foi arrancada a folha, foram descobertas, após um exame ultra violeta, algumas anotações feitas a lápis. Foi possível ler cinco linhas de letras maiúsculas que aparentavam ser uma espécie de cifra ou código:

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MRGOABABD

MLIAOI

MTBIMPANETP

MLIABOAIAQC

ITTMTSAMSTGAB

O fato de a segunda linha estar riscada foi desconsiderado pela polícia já que ela se aparentava muito com a quarta linha e indicava que certamente teria sido um erro no momento da escrita. A letra que inicia a quinta linha é objeto de controvérsia, podendo ser a letra I ou a letra V.

Havia também um número de telefone nas costas do livro que não constava em nenhum catálogo de telefones da época. O número pertencia a uma enfermeira que morava em Glenalgh. Sua casa ficava apenas 800 metros do local onde o corpo do Homem de Somerton foi encontrado.

A mulher foi chamada pela polícia para dar depoimento e declarou que era dona de uma cópia do Rubaiyat até 1945, época em que trabalhava no Hotel Clifton Gardens, na cidade de Sydney. Nesse ano, ela o presenteou para um tenente do exército australiano chamado Alfred Boxall, que servia na seção de transporte de água do exército.

A mulher havia tido um relacionamento com o Tenente Boxall até que depois de 1945 mudou-se para Melbourne e se casou. Ela ainda teria recebido uma carta do tenente, mas respondeu-lhe educadamente que já havia se casado. Algum tempo depois, um homem misterioso passou a perguntar aos seus vizinhos informações sobre ela. Ao ser levada até o molde de gesso feito da cabeça até os ombros do cadáver que havia sido encontrado na praia, com a finalidade de identificá-lo, a mulher afirmou que não se tratava do Tenente Boxall.

Mesmo assim, a polícia ainda trabalhava com a hipótese de que o Homem de Somerton seria o Tenente Boxall, já que essa era sua melhor pista desde o início da investigação, mas o aparecimento dele com sua cópia do Rubaiyat completa com a expressão Taman Shud até sua última página, levou a investigação a mais um beco sem saída. O Tenente Boxall havia saído do exército e durante a investigação passou a trabalhar em um setor de manutenção do depósito de ônibus de Randwick, o mesmo local onde trabalhava antes da guerra.

Sua cópia ainda possuía a transcrição do verso 70, onde se encontraria a parte rasgada e com escritos com a letra da enfermeira que havia dado o livro. Comprovando que se tratava da mesma cópia dada a anos antes. Devido a já ser casada e ter medo de causar constrangimentos com seu atual marido a enfermeira pediu para que seu nome fosse retirado do inquérito, tendo a polícia aceitado tal condição. Isso impossibilitou que a melhor linha de investigação que o caso teve até aquele momento fosse retomada anos depois.

Pesquisadores atuais seguiram as linhas de investigação da época e ao investigar a enfermeira que teria dado o livro ao Tenente Boxall e descobriram que ela supostamente teria falecido em 2007. Hoje ficamos por aqui, Não esqueça de ler a terceira parte sobre O Caso Taman Shud – O homem de Somerton -Pt 3.

Até a próxima!!

Veja também: O misterioso vórtice do Golfo de Áden

O misterioso caso das máscaras de chumbo

O misterioso fim de Rudolf Hess

Fontes: Mundo Estranho, Perdidos na Terra, Hypercubic, Leituras da História, História de Mistérios, Cipher Mysteries, Mother Nature Network