Os terríveis crimes da Rua do Arvoredo – 2

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No artigo de hoje vamos ver a segunda parte do artigo sobre um dos casos policiais mais bizarros e estranhos de nossa história: Os Terríveis Crimes da Rua do Arvoredo. A primeira parte do artigo se encontra aqui: Os terríveis crimes da Rua do Arvoredo

Modus Operandi dos Crimes da Rua do Arvoredo

Segundo entrou para a história, os nossos personagens José Ramos, Catarina Paulsen e Carlos Klaussner se uniram para realizar um dos crimes mais bizarros já registrados. O modo de agir era quase sempre o mesmo.

José e Catarina ficavam responsáveis por atrair os homens que seriam atacados. Catarina não falava muito bem o português, mas costumava atrair os homens, de preferência estrangeiros, em um local chamado Beco da Ópera, conhecido atualmente como Rua Uruguai, e os levavam para a Rua do Arvoredo.

No local, entrava em ação José Ramos, que roubava as vítimas, as matava degoladas. Em seguida as azaradas vítimas eram esquartejadas e descarnadas. A carne era enviada para Carlos Klaussner que a moía, misturava com outros produtos e transformava em linguiça. O produto era vendido ao público em geral e os ossos eram dissolvidos em ácido ou queimados.

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Segundo a versão mais famosa, a ideia de iniciar com a macabra prática foi de Carlos Klaussner, que acreditava que seria a melhor forma de sumir com as provas que existiam contra eles eliminando os corpos. Segundo a maioria das fontes, nenhum dos três assassinos se alimentava com o produto apesar de terem provado em certa ocasião.

Desaparecimentos em Porto Alegre

Ninguém sabe com certeza a quantidade de vítimas o que foram atraídas por Catarina, mas acredita-se que podem ser mais de 10 homens. Devido à época em que os crimes foram registrados, se torna difícil dispor de dados precisos, e apesar dos números oficiais, muitas pessoas acreditam que os números reais são muito maiores.

Para se ter uma ideia, um dos números mais citados quando se fala no número de vítimas dos crimes da Rua do Arvoredo, cita-se que quando presos, e depois de passar um tempo na cadeia, Catarina resolveu confessar seus crimes à polícia. nesta ocasião ela disse que na verdade haviam sido mortos um total de 9 pessoas, mas muitos acreditam que seriam ainda mais.

A morte de Carlos Claussner

Vários desaparecimentos de homens estrangeiros começaram a despertar o interesse das autoridades da cidade, fazendo com que as forças de segurança começassem a investigar e a fazer perguntas. Com o medo crescente das pessoas em relação aos desaparecimentos e a procura por parte das autoridades de uma resposta para o que estava acontecendo, Carlos Klaussner começou a ficar com medo e decidiu fugir para o Uruguai. Ele deu a desculpa que estava infeliz em Porto Alegre, talvez por medo do que poderia ocorrer com ele, já que José Ramos era um homem muito violento.

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A possibilidade da fuga de Carlos Klaussner fez com que José Ramos se apavorasse e decidisse de forma apressada que o ex-parceiro de crimes deveria morrer. Assim foi feito, e o corpo do infortunado Klaussner foi enterrado no quintal da casa do casal.

Para justificar o desaparecimento de Klaussner, José afirmava que ele havia ido em viagem para comprar gado, ou para o Uruguai, ou teria ido embora por alguns outros motivos. José teria inclusive forjado documentos comprovando uma suposta venda do açougue realizada por Klaussner para ele próprio.

O último crime

No início de 1864 ocorre o último crime do casal José e Catarina. José Inácio de Souza Ávila um caixeiro viajante e Januário Martins Ramos da Silva um comerciante português foram dados como desaparecidos.

Algumas pessoas que tinham relações comerciais com os dois homens, procuraram a polícia para relatar o desaparecimento. Em pouco tempo descobriu-se algumas testemunhas que haviam visto os dois homens na casa de José Ramos no dia anterior.

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Com isso, ele foi chamado para prestar esclarecimentos na delegacia, perguntado sobre o destino de tais homens ele limitou-se a dizer que os dois teriam ido para a cidade de São Sebastião do Caí. Essa informação não satisfez aos representantes da polícia que foram até a Rua do Arvoredo e lá encontraram um cenário extremamente macabro.

Os assassinos e as provas

Foram descobertos vários pedaços de um corpo humano enterrado no porão da residência, esses restos foram identificados como sendo do ex-sócio Carlos Klaussner, o antigo dono do açougue da Rua da Ponte, que José afirmava ter comprado.

Em um poço que existia na casa e estava abandonado, Existiam os corpos de Januário e José Inácio além de um cão. Ao que tudo indica o cão era do jovem José Inácio. Fontes afirmavam que o animal havia ficado na porta da casa de José Ramos, latindo e uivando, quase como se esperasse o seu dono que nunca sairia do local.

Condenação

O delegado Dario Callado prendeu o casal e por ser também o Juiz de direito da época, moveu processo contra José Ramos e Catarina Paulsen. Os dois foram condenados.

José Ramos foi sentenciado a pena de morte por enforcamento pelos crimes de latrocínio. Sua pena foi posteriormente alterada para prisão perpétua pelo Imperador Dom Pedro II, que tinha resistência à aplicação de pena capital desde um erro judiciário que havia ocorrido em 1855, onde foi executado Manuel da Mota Coqueiro Ferreira da Silva, que ficou conhecido A Fera de Macabu. Ramos negou a autoria dos crimes até sua morte, cego e sozinho na Santa Casa de Porto Alegre em 1893.

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Catarina Paulsen foi condenada à 13 anos de prisão, sendo liberta em 1877. Morreu sozinha em um hospício, em 1891.

A origem da história das linguiças

Segundo o que se conta, existiram três processos criminais contra o casal. Um deles versou sobre o assassinato de Carlos Klaussner, o segundo fala sobre a morte de José Inácio e Januário Martins e o terceiro falaria sobre os outros supostos crimes e a confecção de linguiças com os corpos das vítimas.

Essa história surgiu após Catarina ter se convertido para a seita comandada por Jacobina Mentz Maurer, os Mucker. A prisão ou a conversão para os Mucker fez com que Catarina se arrependesse e confessasse a existência de outras pessoas mortas e o modo como o grupo de assassinos operava.

Catarina confessou também que depois da morte de Carlos Klaussner, que era responsável pela fabricação das linguiças, não foi mais possível que se fizesse o produto. E por isso foi mais difícil de esconder o crime.

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Segundo o autor e historiador Décio Freitas que escreveu o livro “O Maior Crime da Terra”, falando dos Crimes da Rua do Arvoredo após várias pesquisas históricas, o terceiro processo desapareceu e os que existem e estão com folhas faltando e são escritos em um português arcaico que torna difícil a leitura.

Suspeita-se que as folhas foram retiradas de forma proposital para evitar que a população da cidade se tornasse temerosa quanto ao consumo de embutidos e para que as pessoas não se apavorassem com a bizarrice que havia acontecido.

Algumas pessoas tentam explicar o desaparecimento do terceiro processo e para isso existem duas prováveis hipóteses: a primeira delas diz que em 1972 o Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul precisava abrir espaço e começou a se desfazer de parte da documentação mais antiga, outra teoria diz que o terceiro processo foi subtraído do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul por motivos e vias ilegais

Outra versão

Outros pesquisadores acreditam que na verdade a história das linguiças foi apenas uma invenção feita por pessoas que queriam enfeitar o caso e causar medo na população, no mesmo formato das hoje conhecidas lendas urbanas.

Para essas pessoas, o crime foi bem mais simples e apenas três pessoas morreram, Carlos Klaussner não seria um dos participantes do crime, mas apenas uma vítima, o comerciante português Januário Martins teria sido morto por motivos financeiros e o caixeiro viajante José Inácio por estar no lugar errado e na hora errada.

Caso inconcluso

Apesar de tudo apontar para que a história sinistra sobre os crimes da Rua do Arvoredo seja a mais provável, não se tem certeza absoluta sobre a prática de José Ramos, Catarina Paulsen e Carlos Klaussner ser real.

Argumentos que justificam tanto a existência quanto a inexistência das supostas linguiça de carne humana são defendidas e devido ao suposto desaparecimento de um processo e algumas folhas dos processos anteriores impossibilitam que qualquer resposta possa ser dada.

Até a próxima!!

Fontes: Justificando, Mundo Estranho, Crimes da Rua do Arvoredo, Flores de Um Deserto