Os terríveis crimes da Rua do Arvoredo

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Hoje se inicia uma série de artigos na qual vamos tratar de uma das páginas policiais mais incríveis e inesquecíveis da história brasileira. Uma série de crimes ocorrido em Porto Alegre no século XIX e que ainda hoje mexe com o imaginário das pessoas não só da cidade bem como de todo o Brasil.

Esses crimes que ocorreram entre os anos de 1863 e 1864, além dos assassinatos de várias pessoas, uma história não confirmada que envolveria a confecção de linguiças com a carne das vítimas. Essa última parte, não confirmada por boa parte dos pesquisadores, é crença de muitos outros que afirmam que o fato ocorreu de verdade.

O evento ficou conhecido internacionalmente como “Os Crimes da Rua do Arvoredo”, devido ao local onde foi perpetrado e também como “O maior crime da Terra” pelos jornais de vários lugares do mundo. Até mesmo o pesquisador Charles Darwin escritor do livro “A origem das espécies”, enquanto passava pela Inglaterra soube do caso e escreveu em um caderno de anotações que levava consigo, uma frase que resume boa parte da sensação que a opinião pública tinha sobre o caso: “Há um Chacal adormecido em cada homem”.

O trio do terror da Rua do Arvoredo

Apesar de ter sido chamado na época como: “O Crime de José Ramos”, devido a seu maior perpetrador e o provavel chefe do trio possuir esse nome, mas ele teve participação também de sua esposa Catarina Paulsen e do açougueiro Carlos Klaussner, Vamos tentar conhecer um pouco do perfil dos três assassinos.

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José Ramos

José Ramos era catarinense de nascimento, filho mais velho de Manoel Ramos e Maria da Conceição, um soldado descendente de portugueses que havia combatido durante a Guerra dos Farrapos no batalhão de infantaria de Bento Gonçalves e uma indígena. O seu pai havia desertado da tropa farroupilha e fugido para Santa Catarina levando sua esposa.

Violento, Manoel Ramos ataca a sua esposa e por medo de que ele causasse algum ferimento a sua mãe, José Ramos intervém na briga, dando uma facada em seu pai e causando-lhe a morte alguns dias depois.

Com tudo isso, José Ramos não pode permanecer no estado de Santa Catarina por muito mais tempo e teve que se deslocar até a cidade de Porto Alegre, onde fixou residência. Apesar de seu passado criminoso, conseguiu um emprego como inspetor da polícia da cidade e alugou um local para viver. Uma casa na rua conhecida como Rua do Arvoredo, local que hoje é a Rua Fernando Machado, 707. Nessa ocasião ele conheceu o açougueiro alemão Carlos Klaussner.

A vida como policial de carreira não durou muito já que ele foi surpreendido tentando degolar Domingos José da Costa, um homem que havia sido preso em Vacaria em 1862 e que era mais conhecido como Campara. José Ramos argumentou em sua defesa que ele tentava escapar no momento em que atacou o prisioneiro, mas de nada adiantou a sua defesa, em seguida ele foi expulso da polícia, mas devido a conhecer o delegado Dario Callado, passou a ocupar a função de informante da corporação.

Um fato curioso sobre a vida de José Ramos é que ele era muito conhecido pela classe mais alta da cidade de Porto Alegre. Comparecia de forma frequente a eventos luxuosos e de alta sofisticação. Era visto em óperas, várias apresentações teatrais, sendo figura frequentemente presente no recém-inaugurado Theatro São Pedro. Apesar de muitas pessoas que o conheceram no ofício de policial considerarem que ele era um policial violento, ao mesmo tempo o consideravam um cavalheiro gentil e apreciador das artes.

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Catarina Paulsen

Catarina nasceu em 1837 e teria vindo diretamente da Hungria para fugir da pobreza que existia no país. Sua família possuía origem alemã e vivia no território conhecido como a Transilvânia em uma aldeia com seus pais e dois irmãos.

Em 1848, durante o evento que ficou conhecido como a Revolução Húngara de 1848, teve toda a sua família assassinada por parte dos soldados inimigos.

Com apenas 15 anos, casou-se com Peter Paulsen e por conselho de conhecidos vieram para o Brasil tentar uma vida melhor. Durante a viagem, seu marido se suicidou deixando-a sozinha para terminar a viagem. Ela chegou em Porto Alegre apenas em 1857, já com 20 anos de idade, e conheceu José Ramos em 1863, já com 26.

Carlos Klaussner

Carlos Klaussner era um imigrante alemão que chegou ao Brasil em 1859. Era solteiro e alugou para o casal José Ramos e Catarina Paulsen o local onde ficava o seu antigo açougue. Na época dos crimes, possuía um açougue atrás da igreja Nossa Senhora das Dores, na rua que era conhecida como a Rua da Ponte, hoje conhecida como Rua Riachuelo.

Desde que havia chegado ao Brasil iniciou o ofício de açougueiro, mas o fato de ser solitário fez com que José Ramos e sua esposa pudessem se aproximar dele de forma fácil até que em pouco tempo José Ramos se tornou o seu ajudante no açougue.

Segundo a versão mais conhecida desta história, Carlos e José eram sócios em um dos mais nefastos negócios da história do Brasil: as bizarras linguiças de carne humana.

Hoje ficamos por aqui, veja nos próximos artigos as próximas partes da bizarra história real dos Crimes da Rua do Arvoredo, com tintas de lenda urbana, que aconteceu no século XIX no Brasil.

Até a próxima!!

Veja aqui a segunda parte dessa história: Os terríveis crimes da Rua do Arvoredo – 2

Fontes: Justificando, Mundo Estranho, Crimes da Rua do Arvoredo, Flores de Um Deserto