Quatro conflitos internos na história do Brasil

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Apesar de acreditarmos que o brasileiro é um povo manso e pacífico e que a nossa história transcorreu de forma tranquila, essa história não é verdadeira. Podemos afirmar isso, já que boa parte de nossa história foi marcada por conflitos internos sangrentos e várias revoltas populares foram sendo registradas em vários locais. Então, dedicamos o artigo de hoje para conhecer quatro desses conflitos internos do Brasil:

Revolta dos Mucker

Esse conflito teve lugar no interior da Província do Rio Grande do Sul, entre os anos de 1873 e 1874 e colocou em lados opostos as forças legalistas da polícia da província e do Exército Brasileiro e seguidores de uma seita religiosa liderada pelo casal Jacobina Mentz Maurer e João Jorge Maurer.

Após ocorrerem alguns crimes, nos quais foram vítimas algumas pessoas da comunidade de São Leopoldo e que foram creditados a membros da seita Mucker, o casal foi procurado pelo Coronel Genuino Olympio de Sampaio. Contudo, nada saiu como planejado e se iniciou um conflito que manchou as terras da região de sangue.

Após algumas escaramuças e uma resistência ferrenha por parte dos Mucker, a revolta se encerra apenas em 2 de agosto de 1874, quando Jacobina foi morta com vários de seus apoiadores. Por certo, você deve lembrar de uma das convertidas aos Mucker que foi personagem de um artigo anterior: Catarina Paulsen.

Revolta da Chibata

Entre a nossa lista de conflitos internos do Brasil de hoje, sem dúvida a Revolta da Chibata é a mais conhecida pelo público em geral. Essa foi uma revolta de membros da Marinha do Brasil que, cansados com os castigos corporais que eram infligidos aos marinheiros, ou seja, as chibatadas as quais eram submetidos a cada falta disciplinar que era cometida.

Os marinheiros liderados por aquele que seria conhecido como o Almirante Negro, João Cândido Felisberto, tomaram alguns navios e apontaram seus canhões para a cidade do Rio do Janeiro.

Após alguns dias, os marinheiros conseguiram que os castigos corporais fossem banidos e entregaram os navios. Contudo depois de uma revolta de fuzileiros navais, sem qualquer relação com eles, foram punidos, sendo expulsos da Marinha. Além disso, alguns foram presos, alguns mortos e outros mandados para trabalhos forçados na região da Amazônia.

Revolta do Ronco da Abelha

Essa revolta se iniciou devido a um mal entendido sobre um censo que se daria no ano de 1852, nas províncias de Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Ceará e Sergipe. Muitas pessoas passaram a acreditar que o governo queria fazer com que os negros alforriados e o pobres passassem a ser escravos.

O povo indignado se armou com facões, foices e espingardas e rumou até alguns prédios do governo e ameaçou algumas autoridades locais. A confusão chegou a tal ponto que o governo deslocou mais de mil soldados da polícia para tentar pacificar o local.

Até mesmo a Igreja Católica foi chamada pelo governo para tentar ajudar a convencer o povo da importância da política que seria implantada e que não haveria risco algum para o povo. A revolta só foi pacificada no final de 1852 com a promessa de que o censo não seria realizado. Por fim, o censo foi atrasado em duas décadas.

A revolta de Manuel Congo

A Revolta de Manuel Congo é um dos vários conflitos internos do Brasil que ocorreram por conta da escravidão. Ela ocorreu na área que hoje é ocupada pelo município de Paty do Alferes, Rio de Janeiro, em 1838 e 1839.

Tudo se iniciou logo depois que mais de 300 escravos liderados por Manuel Congo e sua companheira Mariana Crioula fugiram de várias fazendas da região. De acordo com vários historiadores, tinham a intenção de formar um quilombo na mata ou negociar melhores condições de trabalho.

Assustados pela fuga, as autoridades convocaram a Guarda Nacional que entrou em confronto com o grupo. Após uma batalha onde perderam a vida alguns soldados e vários revoltosos, vários escravos foram recapturados e devolvidos aos seus senhores. Outros revoltosos se internaram na mata e retornaram às fazendas de onde haviam saído. Manuel Congo foi capturado e condenado a morte por enforcamento.

Isso é tudo por hoje e assim sendo, até a próxima!!

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Fontes: História Brasileira, UOL, Info Escola, Estudo Prático