Série Biografia – Quem foi Benjamin Franklin

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O nome de Benjamin Franklin está ligado a vários campos diferentes da atividade humana e apesar de ter falecido há mais de 200 anos, suas obras ainda ecoam nos dias de hoje. Então, pare de empinar essa pipa no meio da tempestade e venha conhecer um pouco sobre a vida do nosso personagem de hoje.

Benjamin Franklin

Benjamin Franklin nasceu na cidade de Boston e era o 17° filho de um comerciante de sebo e fabricante de sabão e velas chamado Josiah Franklin. É importante ressaltar que o pai de nosso personagem era inglês e havia emigrado alguns anos antes. Além disso, alguns de seus irmãos também tinham nascido na Inglaterra e eram filhos da primeira esposa de seu pai. Quando Benjamin nasceu, seu pai estava em seu segundo casamento. Sua mãe, Abiah Folger, era classificada como uma pessoa discreta e reservada, mas que apoiou a carreira de seu filho. De acordo com alguns historiadores ela somente foi contra a entrada de Benjamin Franklin na maçonaria.

Apesar de ter relativo sucesso em seus estudo e aprender a ler muito cedo, deixou os estudos também muito cedo, com apenas 10 anos de idade. Logo após, aos 12, começou a trabalhar como aprendiz de um irmão mais velho, James, que publicava um jornal da cidade de Boston chamado “The New England Courant”.

Com o passar do tempo, tornou-se colaborador ativo da publicação e logo depois passou a ser seu editor nominal. Além disso, passou a escrever cartas para o jornal, sob o pseudônimo de Senhora “Silence Dogood”, que se apresentava como uma viúva de meia idade. Nem mesmo o seu irmão James sabia que a escritora contumaz se tratava de Benjamin Franklin. Quando descobriu, ficou furioso com Franklin, mas anos depois recebeu ajuda da mesma “senhora” quando foi preso por criticar o governo.

Fugindo de seu irmão

Apesar de aprender muito sobre o ofício de impressor com seu irmão, sofria constantes maus tratos por parte dele e com 17 anos, fugiu para a Filadélfia para tentar uma nova vida. Já assentado no local, encontrou emprego como impressor em um jornal local. Depois de alguns meses, Franklin foi convencido por Willian Keith, governador da Pensilvânia da época, a se deslocar até a cidade de Londres, com o intuito de adquirir o equipamento necessário para estabelecer outro jornal na Filadélfia. Contudo, Franklin se sentiu traído por Keith, uma vez que as cartas de recomendação que o político havia prometido nunca chegaram a Londres e assim sendo, ele teve que encontrar trabalho na cidade para se manter. Mais uma vez, encontrou emprego na indústria gráfica da cidade.

Contudo, mesmo em situação difícil na cidade de Londres, Franklin aproveitou ao máximo o que a metrópole tinha a oferecer. De acordo com relatos da época ele participou de apresentações de teatro, misturou-se com os habitantes locais em suas atividades de lazer e pôde dar continuidade à sua paixão pela leitura. Retornou à Filadélfia em 1726, após receber a ajuda de Thomas Denham, um comerciante que empregava Franklin como balconista, vendedor e contador em seu negócio.

Também foi em Londres que realizou um feito notável que o deixou conhecido: criou suas próprias nadadeiras de madeira e realizou natação de longa distância no Rio Tamisa. Por esse episódio, ele foi indicado como membro honorário do Hall da Fama da Natação Internacional em 1968.

O casamento

Como vimos anteriormente, Franklin fugiu de seu irmão quando possuía 17 anos e se mudou de Boston para a Filadélfia. Nos primeiros momentos, ele precisou se hospedar em casas de moradores da região e em uma dessas ocasiões se hospedou na casa de John Read, onde conheceu a sua filha, Deborah. Entretanto, depois que Franklin retornou à Filadélfia em 1726, ele descobriu que Deborah havia se casado. No entanto, o casamento da jovem não foi longo e feliz. Alguns meses após casar ela foi abandonada por seu marido, que nunca mais foi encontrado, nem mesmo para fazer o processo de anulação do matrimônio.

Deborah Read

Com isso, Benjamin Franklin resolveu procurar a jovem Deborah Read e em seguida os dois iniciaram um relacionamento que resultou em casamento, não oficial, devido ao desaparecimento do antigo marido. Além disso, Franklin já possuía um filho, William, que foi acolhido pelo casal. O primeiro filho do casal, Francis, nasceu em 1732, mas morreu com apenas quatro anos de idade, acometido por varíola. A única filha do casal, Sarah, nasceu em 1743.

Depois de voltar de Londres

Depois que conseguiu retornar de Londres, Franklin realizou vários trabalhos: foi contador, vendedor e cortador de moedas. Em 1728, fez uma parceria com um amigo para abrir sua própria gráfica na Filadélfia, que publicava panfletos e livros do governo. Em 1730, Franklin foi nomeado o impressor oficial da Pensilvânia. Apesar dessa proximidade com órgãos do governo da época, Benjamin Franklin era considerado um fora da lei por ter fugido de seu empregador – seu irmão – quando tinha 17 anos, prática que era considerada ilegal naqueles tempos.

Tempos depois, com o dinheiro que Franklin ganhou com seus contratos com o governo, ele conseguiu comprar o jornal “The Pennsylvania Gazette”. De acordo com historiadores, sua gestão no jornal foi um sucesso e ele rapidamente se tornou o mais lido da colônia. Além disso, naquela época, vários jornais registravam prejuízos para seus proprietários, mas o jornal de Franklin era um dos poucos com lucro. Ainda em 1732, lançou o primeiro jornal de língua alemã nas colônias inglesas. Ele se chamava “Philadelphische Zeitung”, mas esse não durou muito, já que apresentou prejuízos crescentes.

O famoso almanaque

A partir de 1733 passou a publicar uma das obras que o deixaram mais famoso: “Almanaque do Pobre Ricardo. Ele tinha a fama de usar vários pseudônimos para realizar suas publicações e dessa vez não foi diferente, já que usou o nome Richard Saunders. Contudo ele sempre negou veementemente que ele próprio realizava a publicação do almanaque. Apesar dessa controvérsia sobre a autoria, o sucesso da publicação era tanto que ele vendia cerca de dez mil cópias por ano.

O almanaque foi publicado por 25 anos e como outros almanaques que conhecemos até os dias atuais, possuía previsões meteorológicas, informações astronômicas, poesias, citações e pensamentos diversos. Várias das citações e ditados populares criados e divulgados por essa publicação permanecem em uso até os dias de hoje como, por exemplo a famosa frase: “Um centavo poupado é um centavo ganho”. O almanaque deixou de ser publicado em 1758.

Inventor

Em 1746, após assistir a uma palestra de Archibald Spencer passou a se interessar profundamente pelo estudo da eletricidade. Realizou vários estudos envolvendo esses e outros temas nos anos seguintes, com maior ou menor sucesso em cada um deles.

Ademais é importante citar que em 1748, após vários anos de sucesso profissional, Franklin havia se tornado um dos homens mais ricos da Pensilvânia e desistiu do seu negócio de impressão e o entregou a um sócio com o intuito de ter mais tempo para realizar experimentos científicos.

Ao longo dos anos foi o responsável por vários estudos na área da demografia onde colheu dados sobre o crescimento da população das colônias britânicas. Seus estudos nessa área permaneceram influentes por vários anos. Além disso, também estudou as correntes oceânicas e descobriu a Corrente do Golfo durante uma viagem que fez para a Inglaterra.

Mas seu campo preferido parecia ser mesmo a eletricidade. Em 1752, ele realizou o seu experimento mais famoso: empinar uma pipa com uma chave para demonstrar que o raio era eletricidade. Logo depois de realizar esse experimento, inventou o para-raios. Mas ainda podemos citar entre suas invenções: A harmônica de vidro, um instrumento musical estranho, mas que chamou a atenção de Bethoven e Mozart, que compuseram músicas para serem tocadas nela, o Fogão Franklin, muito mais eficiente que os fogões da época, uma cadeira de balanço e os óculos bifocais, entre muitas outras.

Devido a essas contribuições ao mundo científico, ele se tornou membro da The Royal Society em 1753. Essa instituição era sediada na Inglaterra e era destinada ao desenvolvimento científico. Além disso, ele foi premiado com a Medalha Copley pela mesma instituição. Essa medalha era reservada para as pessoas que tivessem dado grandes contribuições para os campos da ciência.

Harmônica de vidro

Político

Além de todas essas contribuições para a ciência mundial, muitos lembram da atuação política de Benjamin Franklin, que foi de suma importância para a história dos Estados Unidos. Tal foi a importância que ele foi colocado, junto a outras figuras históricas na lista de “Pais Fundadores” da nação. Sua carreira política se iniciou em 1748 quando Franklin tornou-se membro do conselho da cidade da Filadélfia, além de se tornar juiz de paz da cidade no ano seguinte. Em 1751, ele foi eleito vereador da Filadélfia e em seguida eleito para ser representante da Assembléia da Pensilvânia. Nesse cargo permaneceu até 1764, após várias reeleições. Logo após, aceitou uma nomeação real como vice-diretor geral dos correios da América do Norte.

Durante o evento histórico conhecido como o Congresso de Albany, um congresso formado pelas colônias inglesas da época, ele foi o representante da Pensilvânia. Ele deu a sugestão de criar um governo unificado para as 13 colônias, no entanto, o plano não foi ratificado pelas outras colônias e o plano foi abandonado. Em 1757, Franklin foi nomeado pela Assembléia da Pensilvânia para servir como agente da colônia na Inglaterra. Nessa época Franklin fez uma de suas viagens mais importantes para a cidade de Londres com o intuito de resolver disputas diversas entre o governo central e membros da comunidade da Pensilvânia.

Pela Independência

Uma linha de argumentação no Parlamento Britânico era que os moradores das colônias deveriam pagar uma parte dos custos da guerra franco-indiana, ocorrida entre os anos de 1754 a 1763, e que, portanto, deveriam ser cobrados impostos mais altos sobre eles. Contrário a tais interesses, ele defendeu que os colonos já contribuíam fortemente para a defesa do Império. Além disso, os governos locais levantaram, equiparam e pagaram 25 mil soldados para combater a França (esse foi o mesmo número enviado pela Inglaterra na época). Em seguida, ele afirmou que o custo financeiro foi também muito alto para todas as colônias pois financiaram todos os custos com as suas tropas, sem ajuda da Coroa Inglesa.

De fato, naqueles dias, as relações entre a Inglaterra e suas colônias na América já se encontravam sob grande tensão. Isso ainda viria a aumentar com a aprovação daquela que viria a ser conhecida como a Lei do Selo em março de 1765. Tal lei consistia em um imposto altamente impopular sobre todos os materiais impressos comerciais e legais que fossem usados nas colônias. A figura de Franklin passou a ser objeto de desconfiança por parte dos colonos, tendo em vista que ele era vice diretor geral dos correios, comprara grande quantidade de selos e nomeou um amigo como distribuidor desses selos na Pensilvânia. Além disso, muitos desses colonos passaram a ameaçar a casa e a família de Franklin.

No entanto, Franklin realizou uma denúncia muito veemente do imposto em depoimento perante o parlamento e isso, mesmo que indiretamente, contribuiu para a revogação da Lei do Selo ainda no ano seguinte.

As cartas da discórdia

Em 1772, Franklin obteve várias correspondências particulares trocadas entre Thomas Hutchinson e Andrew Oliver, governador e tenente governador da província de Massachusetts, respectivamente, provando que haviam encorajado a Coroa Britânica a reprimir os colonos de Boston devido à resistência contra a malfadada Lei do Selo. Assim que pôde, Franklin enviou essas informações para as colônias, onde elas aumentaram as tensões que já existiam. Por fim, as cartas finalmente foram vazadas para o público em um jornal chamado “Boston Gazette” em junho de 1773.

Outros jornais se seguiram e em seguida se viu uma tempestade de críticas e indignação por parte da sociedade de então. Como resultado do escândalo, Franklin foi demitido dos correios e retornou para as colônias em 1775. Em seguida foi eleito para o Segundo Congresso Continental e nomeou o primeiro chefe geral dos correios para as colônias. Apesar despertar a desconfiança de alguns colonos no início, em 1776, ele foi um dos cinco homens a redigir a Declaração de Independência dos Estados Unidos.

Em Paris

Depois de participar da independência do país, Franklin foi eleito comissário da França. De fato, isso o torna o primeiro embaixador dos Estados Unidos na França da história. Em Paris, ele tinha o intuito de negociar um apoio militar e financeiro por parte do Rei Luís XVI para a nova nação e buscar a assinatura de um tratado de paz com a Grã-Bretanha.

As tratativas de Franklin em Paris levaram a assinatura do Tratado de Paris em 1783. Foi esse documento histórico que encerrou a Guerra Revolucionária e o reconhecimento da independência dos Estados Unidos. Depois de quase uma década na França, Franklin retornou aos Estados Unidos em 1785.

Volta aos Estados Unidos

Após voltar da França, dedicou-se à causa abolicionista e se tornou muito conhecido também por isso, apesar de ter uma luta curta nesse campo. Morreu em 17 de abril de 1790, na Filadélfia, na casa de sua filha Sarah, com 84 anos.

Isso é tudo por hoje e assim sendo, até a próxima!!

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Fontes: Biography, Benjamin Franklin History, Brasil Escola