Quem foi a Irmã Dulce??

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Nos últimos tempos uma personalidade religiosa brasileira ganhou as notícias dos meios de comunicação brasileiros e mundiais e você deve ter ouvido falar sobre ela: Irmã Dulce. Vamos conhecer um pouco da biografia da primeira santa brasileira neste artigo.

A nossa personagem de hoje se chama Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes e nasceu em 26 de maio de 1914 em Salvador, capital da Bahia. Era a segunda filha do dentista Augusto Lopes Pontes, um professor da Faculdade de Odontologia de Salvador e de Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes. Desde muito jovem começou a se interessar pela carreira religiosa e ajudar os necessitados da região de Salvador.

Foi ainda no inicio de sua adolescência que tentou entrar no convento pela primeira vez, sendo recusada pelo Convento de Santa Clara do Desterro por ser muito jovem. Mesmo com isso, continuou a ajudar pessoas carentes e estudar com a intenção de se tornar professora. Formou-se em 1932 e já com a profissão de professora primária conseguiu entrar para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, desta vez na cidade de São Cristóvão, estado de Sergipe. Após apenas seis meses de noviciado, Irmã Dulce fez sua profissão de fé e seus votos perpétuos, tomou o hábito de freira e escolheu o seu nome em homenagem a sua mãe.

Não demorou muito e Irmã Dulce, que já havia retornado a Salvador, já demonstrava a sua capacidade de criar soluções para os trabalhadores e necessitados ao seu redor. Em 1936 se associou ao Frei Hildebrando Kruthanp, e fundou a União Operária São Francisco, um movimento cristão operário da Bahia, que pode ser considerado o primeiro de seu tipo no Brasil.Em 1937, criou o Círculo Operário da Bahia, mantido com a arrecadação de três cinemas que ela e o Frei Kruthanp haviam construído através de doações da comunidade. Em 1939 iniciou as atividades educacionais do Colégio Santo Antônio, com sua educação voltada para os filhos dos operários da cidade.

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Ainda em 1939, enquanto andava pelas ruas de Salvador, foi abordada por um trabalhador que implorou que cuidasse dele e não o deixasse morrer. O homem ardia em febre e se não recebesse cuidados, provavelmente viria a perecer. Ela lembrou-se de uma casa abandonada que existia no local conhecido como Ilha dos Ratos e alojou o doente lá. Esse foi o início de uma de suas maiores obras.

Em pouco tempo, ela já havia ocupado outras cinco casas na região com pessoas que precisavam de tratamento de saúde. O problema é que as casas estavam abandonadas, mas possuíam proprietário e quando este soube da ocupação de seus imóveis, tomou providências para que elas fossem desocupadas, inclusive procurando a polícia baiana, mas Irmã Dulce estava irredutível e ninguém conseguiu fazer com que os imóveis fossem desocupados e os doentes desalojados. O impasse continuou até que o proprietário foi pessoalmente tentar resolver o caso com Irmã Dulce, esperando convencê-la a sair. A surpresa é que quem saiu convencido foi ele e cedeu seus imóveis para o tratamento de pessoas doentes.

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Mas, com tantos atendimentos, as casas estavam ficando pequenas e era necessário encontrar outro local. Irmã Dulce escolheu o galinheiro do Convento de Santo Antônio para a criação daquele que é conhecido hoje como o Hospital Santo Antônio, que permanece em atividade até hoje, atendendo pessoas carentes desde 1949. A partir de então, a sua obra cresceu e outras atividades beneficentes foram sendo incorporadas às suas ações.

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Por conta de tais ações passou a ser conhecida como “O anjo bom da Bahia” e em 1980, durante a primeira visita do Papa João Paulo II no Brasil foi convidada a subir no altar. Em um momento de muita emoção, recebeu do Papa um terço. Segundo relatos da época, ela ainda foi incentivada pelo sumo pontífice: “Continue, Irmã Dulce, continue”.

Faleceu em 13 de março de 1992 de causas naturais, em seu quarto. No dia 22 de maio de 2011, Irmã Dulce foi beatificada em Salvador, e passou a ser reconhecida como “Bem-Aventurada Dulce dos Pobres” e em 13 de maio de 2019, foi reconhecido o segundo milagre de Irmã Dulce: a cura de uma pessoa cega. Com isso, foi canonizada e recebeu o nome de “Santa Dulce dos Pobres”. Sua canonização foi oficializada em 13 de outubro de 2019, a partir de então ela passou a ser a primeira santa brasileira.

Até a próxima!!

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Fontes: Irmã Dulce, E Biografia, Correio Braziliense, El Pais