Série biografia – Quem foi Chico Mendes

Chico Mendes Crédito: Miranda Smith, Miranda Productions, Inc

Francisco Alves Mendes filho ou como ficou mais conhecido pela história: Chico Mendes foi um seringueiro, ambientalista, sindicalista e político brasileiro atuante na defesa da Floresta Amazônica e em favor dos seringueiros da região. Então, no artigo de hoje vamos conhecer um pouco sobre a biografia de Chico Mendes

Chico Mendes

Chico Mendes nasceu em Xapuri, estado do Acre, em 15 de dezembro de 1944. Era filho de Francisco Alves Mendes e Maria Rita Mendes casal que vivia do extrativismo vegetal na região. Como era de praxe naquela região, iniciou seu caminho desde muito cedo, acompanhando seu pai durante as expedições deste para recolher a seiva das seringueiras.

Em sua infância, não chegou a frequentar a escola, devido a distância que havia entre o estudo formal e os seringais do interior do Acre. Aprendeu a ler aos 19 anos com o militante comunista Euclides Fernandes Távora, importante nome do Levante Comunista de 1935 e e da Revolução Boliviana de 1952.

Durante a sua vida, casou duas vezes, com a primeira esposa teve uma filha, Ângela, e com a segunda Ilsamar, teve os filhos Elenira e Sandino.

Chico Mendes e Ilsamar Crédito: Miranda Smith, Miranda Productions, Inc

Ambientalista

Desde o início de sua carreira como um seringueiro, Chico Mendes observava a devastação do meio ambiente promovida, tanto pelo avanço de atividades agrícolas e pecuárias para a área da floresta quanto pelos excessos cometidos em atividades extrativistas realizadas de forma predatória. Se esse panorama já era preocupante durante a juventude de Chico Mendes, com a passagem do tempo foi se tornando cada vez mais insustentável. Logo depois da chegada ao poder do Regime Militar em 1964, aumentaram também, de forma exponencial, os conflitos pela posse de terras na região.

Isso ocorreu, em partes, pela chegada de atividades como a agricultura e a pecuária que iam, aos poucos, substituindo o extrativismo como principal atividade. Isso valorizava as terras e fazia com que os pequenos agricultores fossem privados de acesso a elas. Com isso, um círculo vicioso se fechava com a necessidade de obtenção de maiores extensões de terra e, em consequência, maior desmatamento.

Em 1975, Chico Mendes inicia sua luta contra a exploração dos pequenos agricultores ao ingressar no Sindicato dos Trabalhadores de Brasiléia. Esse foi apenas o primeiro passo que o levou a participar da fundação, logo depois, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri.

Nessa época, começou a organizar e participar de manifestações pacíficas em conjunto com outros seringueiros da região. As principais pautas do grupo era pelos direitos dos povos da floresta e contra o desmatamento. Em geral, a manifestação consistia no chamado “empate”, uma prática que envolve um grande risco: os manifestantes ficavam perfilados a frente daqueles que queriam derrubar as árvores fazendo com que desistissem de seu intento. Ou seja, nesse tipo de manifestações, os participantes protegiam a floresta com os seus próprios corpos.

A luta continua

Durante boa parte do Regime Militar no Brasil funcionou o bipartidarismo, ou seja, havia a permissão para o funcionamento de apenas dois partidos políticos: ARENA e MDB. Então, em 1977, Chico Mendes foi eleito vereador do município de Xapuri, concorrendo pelo MDB. Foi durante o seu mandato como vereador que se iniciaram fortes discussões de políticas entre lideranças locais com a intenção de melhorar a vida das populações rurais da cidade. Nessa época, foi preso e torturado após ter sido acusado de subversão. Além disso, foi nessa época que começou a receber ameaças de grupos que não gostavam da sua atuação na proteção dos povos da floresta.

Com o início da década de 80, o Brasil experimentou a liberação do pluripartidarismo e Chico Mendes participou da formação do Partido dos Trabalhadores (PT). A partir de então, passou a ser considerado uma das principais lideranças do partido no estado do Acre. Durante a década de 80, participou de duas eleições para deputado estadual, em 1982 e em 1986. Contudo não recebeu votos suficientes para se eleger.

Sua atuação desagradava cada vez mais os fazendeiros da região que o denunciaram para a polícia por atos de subversão em diversas ocasiões. Por fim, em 1984, foi levado a julgamento no Tribunal Militar de Manaus e foi absolvido por falta de provas.

O nome de Chico Mendes corre o mundo

Durante o mês de outubro de 1985, participou e liderou o I Encontro Nacional de Seringueiros. Daí resultou a criação de uma organização conhecida como o Conselho Nacional dos Seringueiros. Tal encontro foi de suma importância para a organização dos povos da Floresta Amazônica pois nele foi idealizada a criação de uma “União dos povos da floresta”. Observando que várias das lutas das diferentes categorias que habitavam a Floresta Amazônica eram comuns e que esses povos poderiam se auxiliar mutuamente, essa proposta visava unir os povos indígenas, populações ribeirinhas, pequenos pescadores, seringueiros, entre outros.

Além disso, a ideia principal seria a luta pela criação de reservas extrativistas que visariam preservar a floresta e as áreas indígenas e promover uma reforma agrária que, na visão de Chico Mendes, era necessária para a melhoria das condições de vida dos pequenos agricultores e seringueiros da região.

Tanto ativismo chamou a atenção da Organização das Nações Unidas que, durante o ano de 1986, visitou Chico Mendes e alguns outros ativistas pelos direitos dos povos das florestas no Acre. Chico Mendes então aproveitou para denunciar a existência de vários projetos financiados por bancos de outros países que estavam ajudando na destruição da floresta amazônica. Essa ação fez com que esses financiamentos possuem cessadas e Chico Mendes ganhasse ainda mais inimigos entre os desmatadores da região.

Luta no exterior

O Banco Interamericano de Desenvolvimento foi um das instituições financeiras internacionais que deixou de financiar projetos que causavam devastação na Amazônia. Isso só foi possível depois que Chico Mendes, foi até uma de suas reuniões no início de 1987, na cidade de Miami, e discursou contra a destruição da floresta que estava tendo lugar com o financiamento do projeto da construção da rodovia BR 364.

O pedido de Chico Mendes foi atendido e o projeto foi paralisado, logo depois disso, Chico Mendes passou a ser acusado de travar o progresso da região. Vários outros representantes de órgãos internacionais ligados a preservação florestal passaram a olhar para Chico Mendes como um representante da luta pelo ambientalismo e os direitos dos povos da Amazônia. Então, com relativa fama internacional, Chico Mendes recebeu o prêmio Global 500. O importante prêmio foi um reconhecimento existente entre os anos de 1987 a 2003 e que foi distribuído pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente para mais de 700 pessoas e instituições ao longo de sua história. Apenas Chico Mendes e Vilmar Sidnei Demaman Berna representaram o Brasil nas premiações do Global 500.

As ameaças e a morte

Com avanço da militância pela natureza e a defesa dos povos da floresta também aumentavam as ameaças que recebia por proprietários de terras descontentes. Durante o ano de 1988, passou a denunciar os ameaçantes e chegou até mesmo a contar com escolta policial por um curto período de tempo.

Infelizmente, em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes foi assassinado por Darcy Alves, que cumpria ordens de seu pai Darly Alves. Logo depois do crime, ambos foram presos e condenados a 19 anos de prisão em julgamento realizado em 1990. Por fim, conquistaram o direito à liberdade condicional em 1999.

Boa parte do esforço pela condenação do mandante e do executor do crime contra Chico Mendes se deveram à pressão do Comitê Chico Mendes, uma organização da sociedade civil formada por várias entidades que exigiram que eles fossem punidos. Esse foi um dos primeiros crimes contra ativistas pelos direitos das populações rurais e da floresta a ser julgado e que teve como resultado a condenação daqueles que o perpetraram.

A luta não morreu

Reserva Extrativista Chico Mendes. Crédito: Nanda Melonio

Mesmo após a morte de Chico Mendes, continuava a luta dos seringueiros pela formação das reservas extrativistas, ideia gerada após a criação do Conselho Nacional dos Seringueiros na reunião ocorrida no I Encontro Nacional dos Seringueiros, em 1985. Então, em 1990, foi criada a Reserva Extrativista Chico Mendes. Em parte, a sua criação se deve a pressão realizada por entidades da sociedade civil brasileiras e internacionais. A RESEX Chico Mendes, possui quase um milhão de hectares e abrange várias cidades do estado do Acre. O exemplo dessa reserva extrativista foi seguida por várias outras que foram criadas posteriormente com a mesma finalidade.

Outras lideranças da defesa dos povos da Amazônia permaneceram seguindo e mantendo o legado de Chico Mendes. Contudo, ainda são alvos de muitas ameaças e vários casos de violência são registrados contra elas.

Isso é tudo por hoje e assim sendo, até a próxima!!

Curta nossa nossa página no Facebook para ficar por dentro das nossas postagens!!

Veja também: Série Biografia – Quem foi Princesa Isabel??Série biografia – Quem foi Karl Marx??

* Salvo aquelas que são de domínio público, todos os direitos autorais sobre as obras audiovisuais deste artigo pertencem aos seus proprietários.

Fontes (pesquisa e/ou material audiovisual): Brasil Escola, Toda Matéria, UOL, History, Ambiente Brasil