Série Biografia – Quem foi Lima Barreto

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Por certo, todos concordamos que a literatura brasileira é muito rica e a sua história passa por diversos gêneros e formas de escrever. Além disso, entre os seus escritores existem nomes de peso como o nosso personagem de hoje. Então, não perca mais tempo e conheça no artigo de hoje um pouco da biografia de Lima Barreto.

Família e juventude

Afonso Henriques de Lima Barreto, nasceu no Rio de janeiro em 13 de maio de 1881, filho de João Henriques de Lima Barreto, tipógrafo e de Amália Augusta, professora. Sua família morava em uma residência próxima ao Largo do Machado.

Seus pais eram pertencentes à famílias pobres e eram descendentes de escravos. Com apenas seis anos de idade ficou órfão de sua mãe. Durante sua vida escolar estudou no Colégio Pedro II e na Escola Politécnica do Rio de janeiro, onde seguiu a carreira da engenharia.

Seu pai era um ferrenho monarquista e era ligado a Afonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto, o último chefe do conselho de ministros do período imperial brasileiro. O visconde era padrinho de Lima Barreto e o ajudou em seus estudos.

Vida de adulto

Apesar de iniciar o curso de engenharia, Lima Barreto não conseguiu terminá-lo já que recebeu a notícia de que seu pai havia adoecido e que restava a ele a tarefa de sustentar sua família através do trabalho como funcionário da imprensa oficial, escrevente na secretaria de guerra, escritor e jornalista.

Em abril de 1907, iniciou a sua carreira de escritor com as primeiras contribuições em uma revista de grande circulação da época, a historicamente famosa Fon-Fon. A publicação havia sido fundada naquele mesmo ano e permaneceu em circulação até 1958. Lima Barreto alcançou o cargo de secretário da revista, a pedido do poeta e jornalista Mário Pederneiras.

No entanto, devido a desentendimentos com a equipe da revista, se demitiu do trabalho e fundou a sua própria revista, a Floreal. O trabalho nessa revista não foi muito extenso já que foram publicados apenas quatro edições.

Obras

Durante aqueles anos, Lima Barreto se dividia entre contribuições a outras revistas e jornais variados da capital Federal. Os tempos eram difíceis, entretanto, em 1909, conseguiu editar o seu primeiro romance, “Recordações do Escrivão Isaías Caminha, em 1911, foi a vez do romance “Triste Fim de Policarpo Quaresma, nas páginas do Jornal do Commércio. Por certo, essa obra é considerada por muitos como sua obra prima. O romance “Triste Fim de Policarpo Quaresma” foi editado no formato de livro apenas em dezembro de 1915. Pode parecer estranha, mas essa prática era muito comum na época, em um primeiro momento eram editados os romances em algumas edições de periódicos, na maioria das vezes jornais, e somente após algum tempo era editado o livro com o romance.

Ainda se dividindo entre o jornalismo e contribuições a publicações diversas, publicou, em 1912, no formato de folhetim: “As Aventuras do Dr. Bogoloff”, em 1915, “Numa e a Ninfa: Romance da Vida Contemporânea”. Em 1919, publicou o romance “Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá”.

As internações, as obras posteriores e a morte

Desde 1914, o escritor sofria com agudas crises de depressão e havia demonstrados sintomas característicos de alcoolismo. Esse quadro fez com que fosse internado no Hospital de Alienados do Rio de Janeiro por duas vezes. Logo depois e com o passar dos anos, sua condição de saúde foi piorando e as crises aumentando de forma gradual. Então, devido a seus problemas saúde foi aposentado por invalidez de seu cargo de escrevente na Secretaria de Guerra do Governo Federal, em 1918.

Lima Barreto faleceu de um colapso cardíaco, causado pela extrema debilidade de saúde que experimentava em 1º de novembro de 1922. Na época, o escritor contava com apenas 41 anos de idade e seu falecimento foi registrado em sua casa. Seu pai faleceu dois dias depois.

Pouco antes de sua morte, foram publicadas as partes de seu romance inacabado “Cemitério dos vivos” o qual foi escrito entre os anos de 1919 e 1920, período em que havia passado por outra internação no hospital dos alienados.

Em 1948, foi publicado o romance “Clara dos Anjos”, concluído em 1922 pelo escritor. Por fim, em 1997 foram reunidos vários de seus textos com crônicas sobre obras de modernização do Rio de janeiro que ocorreram no Morro do Castelo e foram publicados em forma de romance sobre o título “O Subterrâneo do Morro do Castelo”.

“Triste Fim de Policarpo Quaresma”

A principal obra do escritor Lima Barreto e que, de acordo com muitos historiadores é a sua obra prima, descreve a vida política no Brasil após a Proclamação da República, sob a ótica de um simples funcionário público da época, chamado Policarpo Quaresma. O personagem é marcado por ser uma espécie de herói quixotesco, com ideais muito nobres, um coração muito bom e como um patriotismo exacerbado.

O romance é dividido em 3 partes sendo que a primeira se desenrola na cidade do Rio de janeiro, logo após a proclamação da república, a segunda analisa alguns problemas enfrentados pela população rural do país na época, quando Policarpo Quaresma se aposenta e vai para um sítio na fictícia cidade de Curuzu e a terceira narra o retorno de Policarpo Quaresma à cidade do Rio de Janeiro durante o período histórico conhecido como A Revolta da Armada.

ABL e textos posteriores

Como vários outros escritores, Lima Barreto também não foi reconhecido durante sua vida. Candidatou-se três vezes para uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, mas foi recusado em duas delas e desistiu na terceira ocasião. Suas obras foram adaptadas para várias outras mídias como, por exemplo, o cinema, a televisão e até mesmo histórias em quadrinhos.

Por fim, outro fato interessante sobre Lima Barreto é que recentemente foram descobertos vários textos seus que foram publicados sob o abrigo de pseudônimos. Boa parte dessa obra foi organizada por Felipe Botelho Correia no livro “Sátiras e Outras Subversões”, com 164 textos inéditos.

Isso é tudo por hoje e assim sendo, até a próxima!!

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Fontes: biografia resumida, museu afro Brasil, enciclopédia Itaú cultural, toda matéria, Brasil escola